Certificação será obrigatória a partir de 2010, aponta Conab

Mudança propiciará modernização e menor índice de perdas nas operações

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Levantamento divulgado recentemente pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) aponta que mais de 500 mil toneladas de milho estão a céu aberto por falta de espaço nos armazéns. Essa produção está concentrada principalmente nas regiões norte, médio norte e noroeste do Estado, onde a estrutura de armazenagem da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é precária para atender a safra estadual de grãos, estimada 27,48 milhões de toneladas, ou, 20,44% do total a ser ofertado pelo Brasil, cerca de 134,49 milhões de toneladas.

Essa realidade, entretanto, pode mudar a partir do próximo ano com a instrução normativa que estabelece os requisitos para a certificação de armazéns em ambiente natural e que passa a vigorar em janeiro de 2010. A medida, publicada no Diário Oficial da União, traz impacto para os armazéns, que serão obrigados a fazer a certificação. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é uma das três universidades do país credenciadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para formar auditores para certificação.

De acordo com o professor Carlos Caneppele, coordenador do Curso de Auditores Técnicos para Certificação de Unidades Armazenadoras, da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UFMT, a certificação propiciará a modernização das técnicas operacionais e profissionais no setor, minimizando as perdas que ocorrem nos armazéns. Segundo ele, as perdas chegam a 10%, “dependendo da situação do armazenamento e do transporte dos produtos”.

A certificação tem por finalidade adequar os armazéns aos requisitos obrigatórios da Conab e às conformidades técnicas dentro da armazenagem. “Em Mato Grosso, muitos armazéns terão de fazer adequações para serem credenciados de acordo com a instrução normativa do Mapa”.

Caneppele explicou que a base da certificação compreende requisitos técnicos e procedimentos para guarda e conservação dos produtos, contemplando ainda a capacitação técnica da mão-de-obra, a higienização de máquinas e equipamentos (controle de pragas) e segurança das unidades armazenadoras.

Em todo o Estado são 2.156 armazéns. De acordo com a Conab, 391 são credenciados e precisam se adequar às novas regras para continuar a receber e armazenar os estoques governamentais.

Além de reduzir as perdas no processo de armazenagem, o Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras, coordenado pelo Mapa, servirá para garantir a qualidade dos produtos no mercado interno, melhorar o relacionamento entre os produtores, armazenadores e a sociedade, e aumentar a competitividade internacional do agronegócio brasileiro.

Segundo o professor Caneppele, o cadastramento na Conab é um dos requisitos obrigatórios da certificação. “Para isso, todo armazém deve estar cadastrado na Companhia, ou seja, seus dados técnicos devem estar disponíveis no banco de dados”. A certificação é obrigatória para todas as empresas armazenadoras jurídicas que prestam serviços remunerados para terceiros, independentemente da propriedade do produto. O credenciamento realizado pela Conab está relacionado exclusivamente com os estoques de propriedade do governo federal.

Algumas regras para a certificação de armazéns serão obrigatórias no momento da primeira vistoria da unidade armazenadora pela entidade certificadora e outros terão prazos de três ou cinco anos para os armazenadores se adequarem. O Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) já iniciou o credenciamento dos Organismos de Certificação de Produto (OCP).

Em Mato Grosso, a OCP-Certifica, do Rio Grande do Sul, é representada pela empresa Plenum, em Cuiabá.

UFMT – A Universidade Federal de Mato Grosso e as Universidades Federais de Pelotas-RS e Viçosa- MG foram as únicas credenciadas pelo Mapa para formar auditores técnicos para certificação de unidades armazenadoras. Os profissionais formados aqui vão poder atuar em todo o país. A demanda é grande, pois só no Estado são mais de 2 mil armazéns. O curso tem 30 vagas para engenheiros agrônomos.

As inscrições podem ser feitas até hoje (04/09), no Núcleo de Tecnologia em Armazenagem, na própria UFMT, ou pelo site www.fundacaouniselva.org.br. O curso vai ser realizado no período de 14 a 19 de setembro, com uma carga horária de 48h/aula. (Marcondes Maciel – Reportagem Diário de Cuiabá)

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