Aéreas veem em manutenção possibilidade de gerar receita

As donas das maiores frotas do País aceleram os aportes na expansão de seus centros tecnológicos, como a TAM Linhas Aéreas, que nos últimos anos aplicou R$ 200 milhões no Centro Tecnológico de São Carlos, onde já presta serviços para outras aéreas

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As grandes companhias aéreas brasileiras começam a voltar os olhos para o mercado de manutenção de aviões, enquanto o número de aeronaves do País cresce com a entrada de novas empresas, bem como avança a atuação das estrangeiras por aqui. As donas das maiores frotas do País aceleram os aportes na expansão de seus centros tecnológicos, como a TAM Linhas Aéreas, que nos últimos anos aplicou R$ 200 milhões no Centro Tecnológico de São Carlos, onde já presta serviços para outras aéreas. E a Gol Linhas Aéreas Inteligentes amplia o espaço que possui no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG), apesar de ainda não efetuar esse trabalho.

Em um setor sensível ao sobe-e-desce do preço dos combustíveis e à variação na demanda de passageiros por conta das intempéries econômicas, a estratégia surge como mais uma fonte de receita para as líderes do setor. “A estruturação desta unidade de negócios vem sendo um instrumento eficaz na redução dos nossos custos, pois o ganho de escala com a prestação de serviços a terceiros otimiza a estrutura instalada e ajuda a diluir os custos fixos”, explicou, ao DCI, Ruy Amparo, vice-presidente de Maintenance, Repair and Overhaul (MRO, ou manutenção, reparo e vistoria) da TAM, ao colocar que a corporação não divulga valores relacionados às receitas de MRO.

Além de atender a frota própria, que hoje tem 116 aeronaves, o centro tecnológico da TAM, no interior paulista, presta serviços às aeronaves do modelo Fokker-100 da OceanAir, além de aviões da marca Airbus da aérea sul-americana LAN Airlines.

A lista de companhias atendidas pela TAM, porém, não deve parar por aí, porque o vice-presidente de MRO sinalizou o início de um trabalho para divulgação da marca ao redor do mundo com o objetivo de promover a unidade de manutenção, para atrair não só novos clientes, mas também investidores. “Nosso objetivo é consolidar o Centro Tecnológico da TAM como um efetivo prestador de serviços para terceiros”, revelou.

Para efetuar as chamadas “manutenções programadas”, com exceção da parte de motores, tanto nas próprias aeronaves quanto para a execução do serviço para outras empresas, é necessária uma série de certificações aeronáuticas, de órgãos brasileiros como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas também de autoridades internacionais, como a Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, além da chancela da europeia European Aviation Safety Agency (Easa).

A TAM já conseguiu obter o aval destas autoridades citadas, além de ter conquistado o da Dirección General de Aeronáutica Civil (DGAC); estes documentos permitem que a companhia efetue a manutenção de aviões matriculados nos respectivos países mencionados. O complexo tecnológico da companhia em São Carlos é composto por oficinas com capacidade de revisar mais de três mil componentes aeronáuticos, além de hangares destinados à área.

Silêncio

Em período de silêncio, a Gol, que detém a marca Varig, não pode divulgar informações sobre o desempenho da empresa e suas projeções, mas fontes ligadas ao setor garantem que ela se prepara para entrar no mercado de manutenção de aviões terceiros. Prova disso, são os dados divulgados pela companhia, anteriores ao chamado quiet period.

Nas informações levantadas pela reportagem, destaca-se a ampliação do Centro de Manutenção da Gol, localizado no aeroporto internacional Tancredo Neves, em Confins (MG). Hoje, o espaço tem capacidade para atender até 60 aeronaves, mas, depois das obras de expansão, esse número saltará para 110 – o pátio do local, por exemplo, crescerá de 27 mil metros para 47 mil metros quadrados. Em Confins, está em construção mais um hangar, escritórios, e áreas de apoio adicionais.

Apesar de, hoje, a companhia realizar apenas a manutenção própria, outro indício de que entrará nesse mercado é o pedido da Gol de obtenção da homologação da Federal Aviation Administration (FAA), licença deve sair em 2010 e permitirá a manutenção para empresas estrangeiras. Hoje, Gol e Varig operam uma frota própria de 110 aviões da família Boeing, mas a projeção é de chegarem a 125 unidades em 2014.

Potencial

A entrada de novas empresas de menor porte no mercado -como a Sol Linhas Aéreas, do Paraná, que acaba de obter a concessão da Anac para voar, e a Nordeste Aviação Regional Linhas Aéreas, de Pernambuco, que iniciou seu processo de certificação junto à reguladora do governo – pode abrir o mercado de manutenção também à aviação regional.

O conceito de aérea regional está ligado ao número de assentos das aeronaves (até 100 assentos), mercado a que a Embraer começa a fornecer seus aviões, mas que também tem boa parcela da francesa ATR. A líder desse setor, a Trip Linhas Aéreas, tem a possibilidade de entrar no negócio porque faz a manutenção de sua frota de ATR, podendo estender o serviço a terceiros. De acordo com a Trip, “no médio prazo este poderá ser um foco de negócios no atendimento a outras companhias com o mesmo tipo de aeronave”, mas, por enquanto, é uma idéia em maturação.

As companhias aéreas TAM e Gol estão investindo e avançando no setor de manutenção de aeronaves para ampliar suas receitas. (Fabíola Binas-DCI)

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