Volks eleva compras em R$ 1 bi de olho na demanda em alta

O ritmo intenso de vendas no mercado brasileiro levará a montadora alemã a gastar R$ 11 bilhões em compras

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As montadoras e fornecedores de autopeças deverão garantir investimentos para conseguirem atender o mercado brasileiro nos próximos anos, segundo afirmou o vice-presidente de Compras para a América do Sul da Volkswagen, Alexander Seitz. O ritmo intenso de vendas no mercado brasileiro levará a montadora alemã a gastar R$ 11 bilhões em compras , R$ 1 bilhão a mais do que o desembolsado em 2008, aporte recorde da montadora para a compra de peças e materiais produtivos. “Nós iremos vender 10% a mais do que em 2008”, exaltou o executivo da empresa.

Segundo a Volkswagen, a indústria brasileira já chegou à sua capacidade limite. Caso a cadeia deixe de investir para o aumento da capacidade de produção, o setor apresentará um “gap” de 20% em 2015, advertiu o executivo da Volks. Em 2009, a montadora produzirá 800 mil veículos, com crescimento de 10% sobre 2008. Para 2012, a expectativa é que a montadora atinja a marca de um milhão de automóveis. “Esse é um caminho do sucesso sustentável. Desde 2006 crescemos 10% ao ano”, afirmou o vice-presidente de Compras.

O ideal, segundo o executivo da Volks, é que a empresa tenha capacidade para cumprir a sua produção nos cinco dias úteis da semana. “Hoje trabalhamos em três turnos e aos sábados. Só temos os domingos para manutenção”, afirmou Alexander Seitz. “Para termos flexibilidade de vendas precisamos de investimentos”, completou. De acordo com ele, os investimentos da Volkswagen já estão em curso, mas por motivos estratégicos, não pode revelar os valores.

Os fornecedores, da mesma forma que as montadoras, também deverão dar início a seu ciclo de investimentos, lembrou Seitz. Por outro lado, ele salientou que não está havendo falta de peças para a produção. Outro fator lembrado pelo executivo é que, com a capacidade ociosa em plantas produtivas ao redor do mundo, máquinas, por exemplo, poderão ser trazidas pelas empresas para assegurarem parte do investimento no Brasil. Alexander Seitz lembrou, contudo, que esse ponto pode facilitar os aportes no País, mas que não será suficiente para garantir todos os investimentos para o aumento de capacidade necessários.

De acordo com o executivo, uma das estratégias para a manutenção da competitividade da companhia é a nacionalização do produto. “Essa também é uma plataforma para se evitar impacto negativo de variação cambial”, afirmou Seitz. A projeção é que o Novo Gol, que conta com 78% de seu conteúdo do mercado doméstico, atinja, nos próximos dois anos, o índice de 85%. “A estabilidade do fornecimento também é importante para manter a nacionalização”, salientou.

Preços

Para o executivo da Volkswagen, um dos fatores positivos, no momento, é o movimento de baixa dos preços de commodities, frente ao pico observado em 2008. “Isso nos ajuda a sustentar os preços competitivos”, disse.

De acordo com a empresa, o preço do plástico (polipropileno) já registrou queda de 15%. Já o aço, segundo a Volks, já caiu aproximadamente 23%. Questionado sobre a nova tendência de alta dos preços no mercado mundial, Seitz foi enfático:

“Na Europa não está havendo tendência de alta. Se alguma usina quiser aumentar, nós importaremos da Europa”.

Premiação

Anualmente, a Volkswagen premia seus melhores fornecedores – em um gráfico que contabiliza entrega e qualidade em uma linha e custos e tecnologia em outra – no Volkswagen Supply Award, este ano em sua décima edição, referente às operações no ano passado.

No total, a montadora possui hoje 500 fornecedores produtivos. Ao todo foram 14 premiados, em sete diferentes categorias. (Fernanda Guimarães – DCI)

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