Árabes estudam abrir frigorífico no Estado (RS)

Decisão ainda depende de estudos sobre os ganhos do negócio e de um parceiro local para a operação

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Investidores árabes avaliam a implantação de um frigorífico em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, para o abate exclusivo de bovinos seguindo a tradição islâmica (Halal) e para abastecer a comunidade islâmica no Oriente Médio. O presidente do Makaseb, considerado o maior banco privado de investimento entre os 22 países árabes e ligado ao maior conglomerado financeiro da região, Ahmed El Helw, confirmou a pretensão ontem, durante encontro com a direção da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Helw visitou, no sábado passado, uma área na cidade, que detém o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, que poderá receber a planta. A decisão dependerá de estudos sobre os ganhos do negócio e de um parceiro local para a operação do abatedouro. “Já tomamos a decisão de fazer a investigação sobre a viabilidade. Vamos aguardar o resultado de estudos de uma consultoria e buscar parceiros locais. A palavra final será dos investidores”, condicionou o executivo, que ressaltou qualidades como “boa impressão, responsabilidade e tranquilidade” nas conversações com os interlocutores do Estado, entre eles a prefeitura de Canoas, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai) e a Farsul.

A administração canoense já analisa a aquisição de uma área que poderá ser cedida ao empreendimento. Segundo o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Valmor Ávila, duas áreas, com 70 hectares e cem hectares, estão na mira. Os terrenos, localizados no bairro Mato Grande, pertencem à empresa Bolognese, que tem interesse em estruturar um porto fluvial. Parte da área deve ser destinada à exploração privada. “Já nos reunimos com a empresa. A localização é ideal, com acesso à futura BR-448 (Rodovia do Parque, que será construída para desafogar a BR-116)”, revelou o secretário. Segundo Ávila, os recursos para compra do imóvel viriam do Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico de Canoas, já existente. Benefícios fiscais, como redução do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) não são descartados, mas necessitariam de nova legislação.

A escolha dependerá dos ganhos com a aplicação. Segundo Helw, a rentabilidade que a instituição busca gira entre 17% e 20%. O executivo espera definir o investimento até janeiro de 2010. Além do município gaúcho, o presidente do Makaseb admitiu que também analisa áreas na Argentina. “Mas vimos mais aspectos positivos no Rio Grande do Sul que no país vizinho”, adiantou o interlocutor dos árabes. “Pessoalmente, prefiro Canoas, mas a decisão é dos investidores”, reforçou. O porte e a capacidade de abate não foram revelados. A comitiva árabe, que contou com integrantes da comunidade islâmica local e de São Paulo e chegou ao Estado na quarta-feira passada, buscou informações sobre o rebanho bovino gaúcho, qualidade da carne e parque industrial no setor.

O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, ressaltou que a característica local é o predomínio de raças britânicas, diferencial ante concorrentes do Sudeste, Centro-Oeste e Norte do País. Os países árabes adquirem hoje carcaças de um frigorífico de São Paulo, que segue a tradição islâmica de processamento dos animais. Também importam bovinos vivos do Estado. Como teste da largada nas relações comerciais entre o banco árabe, com sede em Dubai, nos Emirados Árabes, o presidente do Makaseb solicitou apoio da Farsul para aquisição de 12,5 toneladas de milho.

Sperotto disse que colocará os compradores em contato com produtores locais. “Esse negócio abre o caminho para a Ásia”, avaliou o presidente da Farsul, que se entusiasmou com os planos dos visitantes. A direção da entidade pretende colaborar com informações sobre o desempenho da agropecuária no Rio Grande do Sul.

O banco islâmico atua com comércio e investimentos em produção de grãos e carnes. Segundo Helw, a América Latina e Norte da África estão no foco da aplicação de capital na modalidade de private equity. No continente africano, o banco tem áreas para agricultura. O Brasil, segundo o executivo, poderia ser a sede da operação comercial, que hoje está na China. “Estamos observando o Brasil nos últimos três anos”, indicou. Até agora a instituição financeiro só tinha parceria com a área imobiliária.

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