Simpósio de Logística discute ações para melhorar gestão ambiental e diminuir custo do transporte

O Porto de Paranaguá é um dos pioneiros no fomento de políticas e diretrizes de gestão ambiental

Cinco aeroportos receberão áreas operacionais provisórias
Portos perdem maior competitividade por falta de dragagem
Santos Brasil atinge recorde no Tecon de Santos

Especialistas em proteção ambiental ressaltaram em 22 de julho, na abertura do I Simpósio de Logística Portuária e Meio Ambiente, a importância da criação de novos modelos de gestão ambiental e da adoção de políticas estratégicas que diminuam o custo do transporte da produção. O evento foi realizado no Espaço das Américas, em Foz do Iguaçu, e a integra I Convenção Hemisférica de Proteção Ambiental Portuária, promovido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em parceria com o Porto de Paranaguá (Appa).

De acordo com o mestre em proteção ambiental da Universidade de São Paulo (USP) e diretor de operações da Alpina Briggs, Dante Pozzi Neto, o Porto de Paranaguá é um dos pioneiros no fomento de políticas e diretrizes de gestão ambiental. “O modelo de gestão adotado no Paraná visa harmonizar a atividade portuária com as diretrizes ambientais, garantindo a conformidade legal de todas as operações desenvolvidas no ambiente portuário. O modelo pretende integrar as comunidades do entorno, levando mais conhecimento sócio ambiental estas comunidades a população”, explicou.

“O principal beneficio destes trabalhos de gestão, coordenados pela Alpina Briggs, é a melhoria da qualidade ambiental da poligonal portuária. Isso envolve o gerenciamento de resíduos, o controle de pragas, zoonoses e atendimentos a emergências ambientais. Este é o principal ganho. Para a comunidade, estas melhorias serão vistas a médio e longo prazo. Temos projetos de socioeducaçao junto às comunidades da região e de cursos profissionalizantes, que vão permitir trabalhar mais diretamente na proteção ambiental”, frisou Pozzi Neto.

O secretário de estado do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, destacou a importância da integração de ações ambientais na área portuária. “80% do que é produzido no mundo é transportado pelos mares. Os problemas ambientais são muitos, envolvem uma série de questões nacionais e internacionais. É preciso pensar em soluções a longo prazo. Em um acidente ambiental, por exemplo, é fundamental uma organização rápida por parte das autoridades”, disse o secretário.

Rasca afirmou que o dinamismo e o crescimento constante do Porto faz com que o foco seja estendido do mercado financeiro ao meio ambiente. “Em 2007 o governo do Paraná inaugurou o Centro Integrado de Operações Ambientais, que monitora diariamente o litoral. Estamos realizando simulações de vazamentos de óleo, para que se um dia isso aconteça não sejamos surpreendidos. Foi criado um grupo de trabalho para definir o modelo de dragagem do Canal da Galheta, o único acesso marítimo de navios aos portos”.

TRANSPORTES

O presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, frisou a necessidade de diminuir o consumo de energia no transporte. “A ferrovia entra nesta política de sustentabilidade e gestão ambiental que o Governo do Paraná busca. No Brasil foram adotadas medidas paliativas, que não resolverão o problema do gargalo logístico. A ferrovia, além de consumir cinco vezes menos energia, transporta pelo menos o triplo da quantidade de carga que um caminhão”, disse.

Segundo Gomes, a redução das tarifas de transporte promovida pela construção de ferrovias expande o processo de industrialização para o interior do estado e estimula o desenvolvimento de regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Humano. “O Paraná fez um esforço que nenhum outro estado do Brasil fez, visando o desenvolvimento do interior do estado, o oeste e desenvolver o transporte”, falou.

“O governador Roberto Requião sabe que a construção de ferrovias é uma medida que trará resultados a longo prazo. Aqui, hoje, dizemos não ao monopólio privado. As ferrovias não devem estar sujeitas a empresas privadas, é fundamental a preservação da ferrovia pública”, completou o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes.

SIMPÓSIO – O evento reúne até a quinta-feira (23) especialistas e estudantes universitários em discussões sobre a importância regional dos portos paranaenses no desenvolvimento do Estado, a gestão integrada de bacias costeiras, reciclagem de resíduos, planos de contingência para acidentes com petroquímicos e a responsabilidade socioambiental das organizações portuárias. A organização é dos departamentos de Administração e Ciências Biológicas da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (Unespar/Fafipar).

O diretor geral da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Jairo Pacheco, lembrou que a integração do setor de ensino e pesquisa com outras áreas é uma forma de aprimorar o conhecimento sobre sustentabilidade ambiental. “Temos uma demonstração de projetos na área de apoio a exportação, meio ambiente e combustível. Muitas das ações e projetos são de grande interesse para a formação de estudantes e também para possíveis parcerias para profissionais que já estão atuando. A junção de um evento deste nível com o universo acadêmico enriquece e qualifica a ambos”, afirmou.

COMMENTS