Siemens vai oferecer trem automático

De acordo com a companhia, o modelo deve se encaixar no perfil dos grandes centros urbanos. "Ele tem uma excelente capacidade de inserção urbana, inclusive em áreas de alta densidade populacional"

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As iminentes licitações na área de mobilidade urbana, em boa parte para atender à demanda por transporte público nas 12 cidades brasileiras escolhidas para sediar a Copa de 2014, atiçam as empresas especializadas no setor a apresentar novas soluções ao Brasil. Desta vez, a alemã Siemens anuncia a chegada por aqui do chamado sistema de veículo automático leve (VAL), por meio de um novo modelo desta linha, o Cityval, lançado mundialmente.

De acordo com a companhia, o modelo deve se encaixar no perfil dos grandes centros urbanos. “Ele tem uma excelente capacidade de inserção urbana, inclusive em áreas de alta densidade populacional”, explicou ao DCI Helcio Aunhão, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Siemens Mobility (unidade voltada a soluções para o transporte urbano).

A princípio, um exemplo de projeto em que poderia ser implantado o Cityval é o da futura extensão de mais de 22 quilômetros, a ser licitada, e que dará continuidade ao Expresso Tiradentes, em São Paulo, ligando os bairros do Ipiranga, à região de Guainazes – extremo leste da capital paulista, passando pelo centro.

O negócio representa aportes previstos em R$ 2,3 bilhões, somando a construção e o fornecimento de equipamentos – o que dá um média de R$ 100 milhões por quilômetro instalado. “Considerando o valor médio de investimentos, o nosso sistema de equipamentos ficaria abaixo deste valor”, colocou o diretor de Negócios da Siemens.

Com relação à performance prometida pelo novo sistema de veículo automático, segundo a Siemens, ele dispensa o uso de condutor e pode transportar até 40 mil pessoas por hora, a intervalos médios de espera de 60 segundos nos pontos de parada. A velocidade calculada é de até 80 quilômetros por hora, o que significa uma diminuição no tempo de viagem dos passageiros, pois trata-se de um trem modular, desenvolvido em parceria com a francesa Lohr Industrie.

Aunhão disse que o Cityval apresenta também vantagens como eficiência energética (redução de consumo de energia), o que o torna um veículo considerado “verde”, além da redução de ruído. “Olhando o que deve surgir em novos projetos para a Copa do Mundo, esse veículo servirá para várias cidades brasileiras”, incluiu o executivo, ao ressaltar que ele pode se “adequar a qualquer necessidade local”.

Trem-bala

Declaradamente interessada em concorrer tanto ao projeto do Trem de Alta Velocidade (popularmente chamado de trem-bala), e que ligará os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, como no do paulista Expresso Aeroporto – ligação sobre trilhos entre o Aeroporto de Guarulhos e o centro da capital -, a Siemens tem um concorrente de peso para seus VALs: os veículos leves sobre trilhos (VLTs) da francesa Alstom, que também deseja, com estes carros leves, conquistar contratos de perfil similar no Brasil.

No Brasil, essas serão as primeiras linhas implantadas do sistema, mas mundialmente os VALs da Siemens já transportaram 2 bilhões de passageiros desde 1983, na Europa e na Ásia, além dos Estados Unidos.

O objetivo da empresa é trazer as primeiras unidades da França e nacionalizar o máximo possível a produção, à medida que evoluírem os pedidos regionais. Por aqui, a Siemens atua na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), nos metropolitanos de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de nos metrôs de Brasília, Recife e Fortaleza. A companhia também tem negócios no Estado do Paraná e em Minas Gerais, na área de transportes urbanos.

Em março deste ano, o primeiro veículo pré-serie do NeoVal parou em uma pista de testes da indústria Lohr, em Strasbourg, França. Lá já foram rodados 30 mil quilômetros sem condutor, como teste de resistência.

Brasil

No último ano fiscal, encerrado em 30 de setembro passado (período ainda pré-crise), o balanço fiscal da Siemens apontou um faturamento líquido de R$ 4,6 bilhões, ante R$ 3,5 bilhões do exercício anterior, segundo a empresa. Estes dados refletem o novo portfólio da empresa, organizado desde janeiro nos setores de energia, indústria e serviços de saúde, com a Siemens IT Solutions and Services.

Em relação ao balanço, a subsidiária brasileira diz ter assumido a liderança em desempenho dentre as que atuam nos mercados emergentes, superando seus pares na Rússia, China e Índia (BRICs), que registraram crescimento de 25%, 18% e 12%, respectivamente. A área de mobility (mobilidade) faz parte da divisão de indústria, responsável por 40% do faturamento total da companhia no Brasil. Mundialmente, a Siemens Industry contabiliza ter faturado 40 bilhões de euros. (Fabíola Binas – DCI)

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