Sem controle, cargas excedem peso em BRs

De acordo com a Viapar, o encarregado pela balança em Nova Esperança (PR), Weberton César Alcides Vaz, diz que a falta de policiamento tem estimulado o transporte de cargas acima do peso permitido, principalmente de areia

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As dúvidas que pairam sobre o controle das estradas da União que cortam o Paraná, desde a saída da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e a entrada da Polícia Rodoviária Federal (PRF), há dois meses, têm levado caminhoneiros a se exceder nas cargas para fazer render o carreto. A concessionária Viapar diz estar registrando crescimento no número de caminhões com excesso de carga desde o dia 15 de maio, quando a PRE deixou de atuar em trechos federais como a BR-376, entre Maringá e Paranavaí.

De acordo com a Viapar, o encarregado pela balança em Nova Esperança, Weberton César Alcides Vaz, diz que a falta de policiamento tem estimulado o transporte de cargas acima do peso permitido, principalmente de areia. “Só no mês passado, esse aumento foi de 654% em comparação com a média dos primeiros cinco meses do ano, de 80,2 notificações por mês”, informou em nota. A responsabilidade pelo policiamento nas rodovias federais passou para a PRF, mas o registro da multa na balança ainda não vem ocorrendo.

Jogo de empurra – A Viapar diz emitir o laudo comprovando a irregularidade no transporte, mas estado e União não definiram quem fará as autuações. Weberton lembra que essa situação acontece no momento em que uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) reduz de 7,5% para 5% a tolerância máxima sobre o limite de peso bruto transmitido por eixo, que vai entrar em vigor no dia 31 de dezembro. “O peso excessivo compromete a segurança dos veículos com sobrecarga, pondo em risco o usuário da rodovia, além da qualidade do pavimento, diminuindo a sua vida útil”, comenta o engenheiro de obras Egilson Mota Leal, da Viapar.

Em nota, a PRF informa que a fiscalização e a validação dos autos de infração por excesso de peso nas rodovias delegadas cabem ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER-PR). O trecho da BR-277 entre Curitiba e Paranaguá, por exemplo, sempre esteve sob a responsabilidade da PRF e todas as autuações por excesso de peso nos postos de pesagem são lavradas pelo órgão estadual. Já o DER diz que as operações de pesagem de veículos nos 2,5 mil quilômetros de malha rodoviária concedida no Paraná são montadas pelas próprias empresas, com o apoio de um agente do DER, que lavra os autos de infração. A segurança das mesmas é responsabilidade da PRF.

Sem alterações – Outras duas concessionárias ouvidas pela reportagem (Ecovia e Rodonorte) informaram que até o momento não verificaram alteração significativa, para mais ou para menos, nos casos envolvendo excesso de peso transportado pelos caminhões que circulam nos seus trechos concessionados. Segundo a Rodonorte, na PR-151, fiscalizada pela PRE, as balanças operam normalmente. Nos trechos das BRs 277, 376 e 373, a PRF atua pelo sistema de amostragem, confrontando o peso informado na nota fiscal do transportador com o peso aferido pelas balanças de pesagem. Em caso de divergência, a própria PRF emite a multa.

A Rodonorte diz que até começa a perceber uma redução nos casos de fuga das balanças nos seus trechos fiscalizados pela PRF. No trecho da BR-277 entre Curitiba e Paranaguá também não houve alterações, conforme a concessionária Ecovia. Dos 164.433 veículos de carga que passaram pela balança este ano, 3.232 foram multados por excesso de peso.

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