Pouca saúde de motoristas é preocupação

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que a maioria dos acidentes com vítimas fatais nas rodovias envolve caminhões e carretas

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Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que a maioria dos acidentes com vítimas fatais nas rodovias envolve caminhões e carretas. O principal motivo é a imprudência. Mas, o cansaço, o estresse decorrente da atenção exigida na estrada e excessos cometidos por vários condutores de veículos pesados, como ao dirigir várias horas seguidas sem descanso, são alguns dos fatores que podem levar a uma tragédia.

Além disso, devido à excessiva carga de trabalho, muitos caminhoneiros deixam de lado a saúde e fazem, inclusive, uso de drogas como cocaína e anfetaminas (arrebites) para se manterem acordados durante as longas viagens.

Preocupadas com situações como estas, autoridades estaduais e federais ligadas ao setor do trânsito realizaram ontem o “Programa Rota Cidadã”. Em Cuiabá, os trabalhos ficaram concentrados na BR-364, na saída para Rondonópolis. A expectativa era atender aproximadamente 200 caminhoneiros durante o dia todo.

Motoristas como Agnaldo da Silva, 53 anos, e Ângelo Aparecido Pastori, 42, receberam atendimento médico, psicológico, fizeram testes de glicemia, de acuidade visual e aferição da pressão, além de obter outros serviços como dicas de nutrição.

“Faz três anos que não faço um check-up. A gente não tem tempo suficiente. Esse serviço é bom porque faz a gente se preocupar com saúde”, comentou Agnaldo da Silva. Caminhoneiro há 33 anos, ele garantiu que dirige e descansa normalmente. Porém, reconheceu que há colegas que excedem na jornada e, muitas vezes, se envolvem em graves acidentes.

O sargento Sandro Marcos, da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, explicou a importância de o motorista acompanhar constantemente os níveis de pressão. “É fundamental, porque o caminhoneiro trabalha dirigindo e pode sofrer um desmaio se a pressão for muito baixa ou até um acidente vascular cerebral, se for alta”, comentou. “Caso necessário, o motorista deve fazer o tratamento correto para se evitar um dano maior, como um acidente”, acrescentou.

De acordo com o inspetor da PRF, João Ribeiro Miranda, no local havia uma equipe médica que avaliaria todos os exames realizados e, se necessário, encaminharem os condutores para tratamento.

Os caminhoneiros também foram alertados sobre o projeto de lei aprovado na Câmara Federal prevendo que, para cada quatro horas ao volante, o motorista de ônibus ou de caminhão pare para descansar pelo menos 30 minutos. E que trabalhe, no máximo, nove horas por dia. Se não fizer isso, pode vir a ser multado por infração gravíssima.

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