Frota de veículos nas ruas de Fortaleza (CE) ultrapassa 600 mil

E esse aumento da quantidade de veículos não só desafia os governantes como é reconhecido pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC)

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Engarrafamentos, fluxo lento, filas duplas de carros, barulho de buzinas, estresse, discussões. Tudo isso que hoje já faz parte do cenário do trânsito de Fortalez (CE) tem propensão de aumentar. É o que indicam os números: a frota de veículos da Capital já ultrapassa 600 mil veículos. Se incluídos os carros vendidos em junho último, então, esse dado deverá subir para 611 mil.

E esse aumento da quantidade de veículos não só desafia os governantes como é reconhecido pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC). Já para o diretor de Política Urbana do Instituto dos Arquitetos do Brasil seção Ceará (IAB-CE), Antônio Rocha Júnior, o problema requer intervenções que viabilizem a qualidade de vida dos moradores da cidade.

Conforme informações fornecidas pelo Detran, dados contabilizados até o fim de maio mostram que 604.790 foi o número de veículos emplacados na Capital. Desse total, 62,29% são carros, 19,20% são motos e 6,98% são caminhonetes (a estatística continua citando outros tipos de veículos, como micrôonibus e ônibus).

Para piorar a situação, somado aos carros emplacados até maio com os vendidos até junho, esse número deverá ultrapassar 611 mil veículos, explicou a diretora de Planejamento do Detran, Lorena Moreira. Ela esclarece, ainda, que, no Interior do Estado, 53% da frota é composta de motos.

Incremento

Para Lorena Moreira, é preciso ressaltar, contudo, que esse acúmulo de veículo não é uma característica somente da Capital cearense. “Há um crescimento da frota em todo País”, disse. Ela comentou, ainda, que isso se deve ao incremento na produção e venda de veículos, por conta da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pelos incentivos aos financiamentos oferecidos pelo governo, inclusive com parcelamento da compra do carro novo.

Mesmo reconhecendo que atualmente mais pessoas possuem carro — “e isso é uma tendência nacional” —, Lorena frisou que o Detran não tem ingerência sobre a venda de veículos. Por isso, o órgão busca amenizar as conseqüências do problema investindo em campanhas educativas, fiscalização e engenharia de trânsito.

“Quanto mais veículos nas vias, maior possibilidade de ocorrerem acidentes e infrações”, observou, acrescentando que as campanhas buscam orientar os motoristas a dirigir com prudência. Na engenharia de trânsito, um item importante é a sinalização de ruas e avenidas, reconhece.

“Tudo o que o Detran arrecada em multa investe nessas ações”, disse, informando que, neste ano, foi intensificada a implantação de radares em vias de maior índice de acidentes, como nas avenida Washington Soares e Carlos Jereissati, que dá acesso ao Aeroporto Pinto Martins. “O maior rigor na observância da Lei de Alcoolemia Zero também é uma medida nesse sentido”, adiantou.

Também o presidente da AMC, Fernando Bezerra, considera preocupante o crescimento da frota de veículos em Fortaleza. Para ele, a questão está associada “a uma carência de outros meios de locomoção”.

Ele acredita que um sistema de transporte coletivo mais eficiente poderia desestimular muitos moradores da cidade a usarem o carro próprio. Reiterou, ainda, que o aumento da frota ocorre também com a inclusão de carros usados, muitos dos quais vindos de outros estados do País.

Somente nos últimos sete anos, essa frota cresceu 35%, enquanto, no mesmo período, a oferta de transporte coletivo não cresceu sequer 10%, esclareceu o presidente da AMC. “Isso atrapalha tremendamente o desenvolvimento da cidade”, ratificou. Sobre esta questão, Rocha Júnior, do IAB, diz que o desafio é produzir propostas que incluam o transporte de massa seguro e eficiente, de modo que os “automóveis deixem ser esta terrível praga urbana dos dias de hoje”.

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