Estrangeiros aceleram rumo à disputa do trem-bala brasileiro

A promessa do governo federal, de iminente revelação das regras para a licitação, acelera as articulações do poder público e de empresas estrangeiras, entre alemãs, francesas coreanas e japonesas

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Continua acelerada a movimentação em torno da futura concorrência para a implantação no Brasil do Trem de Alta Velocidade (TAV), popularmente chamado de trem-bala, que ligará São Paulo e Rio de Janeiro.

A promessa do governo federal, de iminente revelação das regras para a licitação, acelera as articulações do poder público e de empresas estrangeiras, entre alemãs, francesas coreanas e japonesas. Sérgio Cabral, governador do Rio, foi a Pequim, onde se encontrou com executivos chineses, além de integrantes do Ministério das Ferrovias da China para estimulá-los a participar da disputa brasileira – uma das empresas locais cotadas é a China Railway Materials (CRM).

De acordo com Joaquim Levy, secretário de Finanças do Rio de Janeiro, a entrada da tecnologia chinesa no projeto poderia vir a reduzir os custos da obra. A China possui hoje cerca de 10% da malha mundial, com mil quilômetros voltados aos trens de alta velocidade (TAVs). O governador do Rio assinou um contrato de compra de vagões destinados ao metrô e às linhas que ligam o centro ao subúrbio carioca, a um preço médio de R$ 2 milhões cada unidade, menos da metade do que o Metrô de São Paulo pagou recentemente (R$ 5,5 milhões) para adquirir carros, o que comprovaria que o sistema chinês é mais econômico: foram 120 vagões para os trens de superfície e 114 para o metrô, da Changchum Railway Vehicles (CRV).

Aos poucos, vai-se desenhando o esboço do que deve ser a licitação do TAV brasileiro, enquanto informações sobre o estudo elaborado pela consultoria inglesa Halcrow Group correm de boca em boca entre profissionais do segmento. Atualmente, o esboço encontra-se sob a avaliação dos técnicos do Governo Federal e de órgãos envolvidos, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Casa Civil e o Ministério dos Transportes, que informou o DCI de que “o processo segue dentro do cronograma apresentado pelo PAC”.

Concorrência

Tudo indica que os moldes do projeto do trem-bala devem seguir a trilha da formação de consórcios, com um bolo grande a ser repartido: uma obra que pode custar até US$ 14 bilhões, para a construção de mais de 500 quilômetros de TAV entre Rio e São Paulo, com extensão até a cidade de Campinas e a perspectiva de de ter até 10 milhões de passageiros – há quem especule iniciativas que seguem até Minas Gerais, dentro de alguns anos.

A alemã Siemens é outra corporação declaradamente interessada no trem-bala brasileiro. “Estamos acompanhando todo o processo, conversando com potenciais parceiros locais. Também temos o apoio do governo alemão”, falou Juarez Barcellos, gerente de Vendas da Siemens Mobility.

O gerente revelou ainda que a Siemens tem capacidade para alavancar investidores, além de recursos próprios. “Estamos dispostos, e com uma solução pronta, que é o Velaro”, disse ele. Juarez acrescentou ainda que, das últimas seis disputas mundiais acerca de TAVs, a Siemens levou cinco, e, na última, forneceu 100 trens à China.

Outra que liderou um verdadeiro levante de executivos, a francesa Alstom, trouxe ao Brasil representantes do Governo Francês e do sistema financeiro local, como os bancos BNP Paribas e Société Générale, além da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), para ver o projeto.

A Alstom se diz a líder mundial em trens de alta velocidade sobre trilhos – hoje, 70% dos trens que operam a mais de 300 quilômetros por hora foram desenvolvidos pela empresa. “Esta é a grande obra que elevaria o patamar brasileiro no setor de transportes sobre trilhos”, comentou Philippe Mellier, presidente mundial da Alstom Transport, em encontro com a reportagem na cidade de Viena, Áustria.

O executivo garantiu ainda que a companhia vai participar da disputa “para ganhar”, como disse. Ele explicou ainda que a empresa é a única hoje com capacidade de fabricar itens do projeto por aqui. O presidente da empresa no Brasil, Philippe Mellier, disse que é uma oportunidade de “fabricar um TAV brasileiro com tempero francês”.

Cada qual evidencia suas vantagens competitivas, como, por exemplo, os coreanos, que em visita ao Brasil garantiram: “Temos capacidade de concluí-lo o mais rápido possível: até 2014”, propagandeou o ministro dos Transportes da Coréia. Os japoneses também fizeram sua parte, quando as companhias Mitsubishi, Mitsui, Kawasaki e Toshiba estiveram por aqui para mostrar o que podem agregar tecnologicamente de seu país. (Fabíola Binas – DCI)

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