Com mudanças, GM do Brasil passará a se reportar à China

A mudança tem toda a lógica dentro do cenário mundial do setor automotivo. Em 2009, a China deverá conquistar o topo do ranking de mercado no setor, superando assim os Estados Unidos

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A reestruturação da General Motors (GM) já começa a afetar as operações de sua subsidiária brasileira. Após a montadora sair oficialmente da concordata, a “Nova GM” é apresentada ao mercado, trazendo mudanças para as estruturas regionais da empresa norte-americana. A área LAAM, que engloba as operações da América Latina, Ásia e Oriente Médio, passa a integrar, dessa forma, a GM International Operations, com sede em Xangai, em mais uma mudança do mapa-múndi da indústria automobilística, cujo principal mercado é definitivamente a China.

A mudança tem toda a lógica dentro do cenário mundial do setor automotivo. Em 2009, a China deverá conquistar o topo do ranking de mercado no setor, superando assim os Estados Unidos. No primeiro semestre do ano, enquanto a grande maioria dos mercados sofreu forte retração, as vendas no mercado chinês chegaram ao recorde de mais de seis milhões de veículos no primeiro semestre, 17,69% mais do que o mesmo período do ano passado. O resultado representa cerca de quatro vezes do número de vendas registrado no Brasil no mesmo período. Para a GM, a China é o segundo maior mercado, seguido do Brasil. Ainda no país asiático, a GM também bateu seu recorde de vendas nos primeiros seis meses do ano. A GM e suas joint ventures, segundo a GM local, venderam 814,4 mil veículos no país no período, registrando um aumento de 38% em relação ao primeiro semestre de 2008.

Segundo o consultor empresarial e ex-vice-presidente da GM do Brasil, André Beer, as operações brasileiras não deverão sofrer mudanças com a nova estrutura. “Antes o Brasil se reportava para os Estados Unidos. Agora continuará se reportando, só que agora para Xangai”, disse o consultor. Segundo ele, a reestruturação pode, ainda, trazer mais autonomia para as operações brasileiras. “Agora o foco muda para a China. A indústria automotiva está apostando o futuro na China, no da Ásia”, disse Beer.

Com a mudança, a GM do Brasil quer correr atrás do tempo perdido e voltar a conquistar espaço no mercado. A companhia, que vendeu 227,7 mil carros no primeiro semestre do ano no Brasil, irá anunciar amanhã, oficialmente em Brasília, novo investimento . O presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila, se reúne em evento com o presidente Lula para o informe do aporte de R$ 2 bilhões (US$ 1 bilhão) no País para o desenvolvimento de uma nova família de veículos no Brasil.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da GM do Brasil afirmou que a companhia ainda não iria se manifestar sobre a reestruturação, o que deve acontecer nos próximos dias.

No início de junho, com o anúncio da entrada da concordada da GM, o Ardila já havia anunciado que a General Motors do Brasil faria parte da “Nova GM” e que o plano traçado para subsidiária do Brasil teria continuidade. A saída da concordata foi anunciada pela montadora na última sexta-feira. O valor da nova companhia está sendo avaliado entre US$ 63,1 bilhões e US$ 73,1 bilhões.

Entenda – A “Nova GM” recebeu os principais ativos da “velha GM” e agora possui participação majoritária dos governos federais dos Estados Unidos e do Canadá, que atuaram fortemente para evitar a quebra da montadora.

Entre as medidas do plano de reestruturação da empresa está o corte de 27 mil funcionários – de 91 mil para 64 mil. Para atingir esse objetivo, a montadora terá 35% menos ocupantes na alta direção e 20% menos de trabalhadores no em suas linhas de montagem. As marcas que pertencem à Nova GM são a Buick, Cadillac, Chevrolet, GMC, GM Daewoo, Holden, Opel, Vauxhall e Wuling, sendo que as operações da Opel e também as da Vauxhall estão em processo de venda.

Contratações – Mesmo com a necessidade de enxugar as estruturas da montadora, a GM do Brasil anunciou ontem a contratação de 50 empregados para a fábrica de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Segundo a montadora, as novas contratações são por tempo indeterminado e terão preferência os empregados que trabalharam na empresa por contrato temporário de trabalho.

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