Roubo de veículos volta a crescer após quatro anos

Os dados do trimestre foram retirados do site da Secretaria da Segurança Pública. A estatística de veículos engloba casos envolvendo carros, motos, caminhões e caminhonetas, entre outros

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O número de veículos roubados no Estado de São Paulo cresceu nos primeiros três meses de 2009 após registrar queda consecutiva no mesmo período dos quatro anos anteriores. De janeiro a março de 2008, 14.474 veículos foram roubados no Estado. Este ano, o número subiu para 19.253 no mesmo período, um aumento de 33%. Os números mostram também que metade dos roubos no período, 9.670, aconteceu na capital, onde o crescimento total foi de 25,78%.

Os dados do trimestre foram retirados do site da Secretaria da Segurança Pública. A estatística de veículos engloba casos envolvendo carros, motos, caminhões e caminhonetas, entre outros. Nem a polícia nem as seguradoras informaram quais tipos e marcas de veículos são os principais alvos dos bandidos ou os locais onde os crimes são mais praticados.

A análise dos dados aponta ainda que os furtos, que seguiam a mesma tendência de queda, voltaram a crescer no primeiro trimestre deste ano. Na capital, o crescimento foi de 9% no período do ano passado para este. Nos primeiros três meses deste ano, foram registrados 10.547 casos ante 9.651 no mesmo período de 2008. No Estado, a tendência é a mesma. No primeiro trimestre de 2008 houve 23.374 furtos, e, neste ano, a marca subiu para 26.778. Também aumentou o número de veículos recuperados. Do 1º trimestre de 2008 para o mesmo período deste ano, houve crescimento de 27,16% no Estado (de 15.052 para 19.141) Na capital, o aumento foi de 23,79% no período, com 7.950 veículos recuperados.

Para o delegado-titular da Divisão de Investigações sobre Roubo e Furto de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Itagiba Franco, o crescimento dos dois tipos de crimes não é significativo “por conta do aumento da frota de veículos”. De março do ano passado para março deste ano, a cidade ganhou 392.961 mil novos veículos, passando de 6.067.707 para 6.468.668, crescimento de 6,4%.

“Não importa se o índice de crimes aumentou muito ou pouco porque o crime deve ser combatido seja qual for o porcentual estatístico”, diz o delegado, que reassumiu o comando da Divecar após ficar dois anos afastado do Deic. Entre as causas apontadas pelo delegado para o crescimento dessa modalidade de crime está o “movimento cíclico da criminalidade”. “Eles (criminosos) percebem que a polícia está em cima de um estilo de crime, como roubo a banco, por exemplo, então eles migram para outra modalidade.”

O diretor executivo da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), Neival Rodrigues Freitas, afirma que o aumento no número de roubo e furto de veículos pode incidir sobre o preço final dos seguros. “Já vimos esse aumento e as seguradoras estão avaliando os impactos”, diz. “O que vai comandar o aumento ou não no preço do seguro não é só o roubo e o furto, há outros fatores. Esse preço é calculado em cima da base de dados das seguradoras, que avaliam quais são os principais crimes praticados contra seus clientes. Se esse crescimento continuar, o aumento pode acontecer, porque o preço do seguro é ditado pela lei do mercado.”

Segundo o delegado da Divecar, 90% dos veículos são roubados para abastecerem os desmanches. “A quadrilha vende um pacote para o desmanche com todas peças, que vão de motor a pneu.”

Para coibir a ação dos bandidos, o delegado afirma que o objetivo da polícia é combater a receptação. “O grande problema são os desmanches. Se fecharmos os irregulares e o legais que se desvirtuam para o caminho do crime, a tendência é que os números caiam”, afirma. Outra ação é fazer investigações e blitze em áreas que concentram grande universidades, estações de metrô e onde há flanelinhas. O delegado admite, no entanto, que sozinha a Divecar não conseguirá acabar com a ação dos criminosos. “Precisamos do auxílio de outros órgãos para reduzir os índices”, diz.

A reportagem entrou em contato da Polícia Militar e, por nota, foi informada que a PM não se manifesta sobre as estatísticas. Para coibir a criminalidade, a PM afirmou que analisa os indicadores para realizar o policiamento.

IPVA devolvido – Quem teve o veículo furtado ou roubado em SP pode pedir a devolução proporcional do IPVA. O dono do carro não pode ter dívidas anteriores com IPVA e multas. Após fazer a solicitação, a restituição é automática e fica disponível por dois anos. Para saber o valor a que tem direito, o contribuinte deve acessar o endereço eletrônico www3.fazenda.sp.gov.br

Dicas – Mantenha vidros fechados e fique atento nos semáforos; evite estacionar em locais ermos e mal iluminados. Prefira os estacionamentos com autorização dos órgãos competentes; carros parados perto de estações de metrô, estádios de futebol e faculdades são visados: os bandidos partem do princípio de que o dono vai demorar para voltar; bandidos têm técnicas para desativar alguns equipamentos antifurto. Mesmo assim, tê-los é uma maneira de inibir o crime; não deixe objetos que chamam a atenção no interior do veículo; se tiver algo de valor, guarde-o no porta-malas. Mas faça isso antes de sair de casa; verifique se o veículo está trancado e com o alarme acionado; se você tem garagem, não pare o veículo na frente de casa, mesmo que seja por alguns minutos; não estacione o veículo sempre no mesmo lugar. E ao notar que alguém está tentando levar seu carro, chame a polícia.

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