Porto pede socorro

Sete meses após a catástrofe, o chão batido no cais indica que a obra do governo, iniciada em fevereiro, não passou da fase de limpeza. A dragagem do Rio Itajaí-Açu, que custou R$ 26 milhões ao governo e não ficou pronta, está sendo concluída pelos terminais portuários privados

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Na terceira passagem por Itajaí desde a enchente de novembro de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta hoje à cidade para oficializar a criação do Ministério da Pesca e sancionar nova legislação do setor. Mas a plateia que irá ao centro de eventos para ver o presidente de perto também espera ouvir boas novas sobre outro tema: a reconstrução do Porto de Itajaí.

Sete meses após a catástrofe, o chão batido no cais indica que a obra do governo, iniciada em fevereiro, não passou da fase de limpeza. A dragagem do Rio Itajaí-Açu, que custou R$ 26 milhões ao governo e não ficou pronta, está sendo concluída pelos terminais portuários privados.

No cais do Porto de Itajaí, duas balsas trabalham para o governo federal na remoção dos últimos escombros da área demolida pela enchente. Mas as obras só irão evoluir quando a Secretaria Especial de Portos (SEP) deliberar sobre alterações feitas no projeto original da obra pelo consórcio contratado. O pedido de mudanças foi enviado há dois meses para a SEP.

Segundo o engenheiro responsável pela obra, Paulo Müller, uma sondagem mostrou que as estacas cravadas no cais do porto deverão ter 50 metros de profundidade, em vez dos 35 previstos no projeto elaborado pelo Porto logo após o desastre. A mudança eleva o custo do serviço de R$ 174 milhões para cerca de R$ 220 milhões. O tempo de execução aumentaria em cerca de dois meses.

– Não podemos nos expor a uma falha que pode fazer o porto desabar de novo na próxima enchente – justifica Müller.

Em qualquer das hipóteses, o novo cais, com dois berços de atracação para navios, não estará pronto quando a catástrofe completar um ano. Segundo Müller, serão mais oito meses de obras se houver a liberação do governo federal e se o solo não apresentar mais problemas.

Insegurança marca a rotina de estivadores

O prefeito Jandir Bellini concorda que é difícil para o governo federal citar datas, mas admite a urgência da cidade, que sofre prejuízos enquanto o porto opera parcialmente.

A reportagem procurou a Secretaria Especial de Portos desde terça-feira, mas não obteve respostas.

A espera pela reconstrução do porto mantém a insegurança do profissionais como o estivador Maykon Ricardo Teixeira. Sete meses foram tempo suficiente para a família declinar da classe média para o que ele chama de “pobreza”.

– A tudo a gente se adapta, menos à falta de perspectiva. Ver o porto com as obras paradas, ver que as grandes cargas não entram por falta de dragagem, é ver que não se tem futuro aqui – reclama.

A categoria dos trabalhadores portuários avulsos, à qual Maykon pertence, recebe por produção. Cerca de 800 trabalhadores estão em situação semelhante, em Itajaí. Em rodízio, trabalham dois dias por mês.

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