Porto de Santa Vitória terá R$ 10 milhões

A abertura do processo depende da conclusão de estudos técnicos de viabilidade econômica, que conta com recursos da prefeitura, e liberação de licença ambiental pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), informou o prefeito de Santa Vitória do Palmar, Claudio Fernando Brayer Pereira

Santos supera Rio Grande em interesse por dragagem
Governo do Paraná garante obras de recuperação do aeroporto de Goioerê
Volks eleva compras em R$ 1 bi de olho na demanda em alta

O porto de Santa Vitória do Palmar, às margens da lagoa Mirim, deve “despertar” em breve de uma hibernação de 40 anos sem receber ou despachar cargas. Investimentos federais, que somam R$ 10 milhões, custearão reforma do cais, pavimentação do acesso, dragagem e implantação de sinalização na hidrovia até o canal de São Gonçalo, em Pelotas. A contratação das primeiras obras, que incluirão pavimentação e recuperação do cais, deve ser deflagrada em 90 dias pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A abertura do processo depende da conclusão de estudos técnicos de viabilidade econômica, que conta com recursos da prefeitura, e liberação de licença ambiental pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), informou o prefeito de Santa Vitória do Palmar, Claudio Fernando Brayer Pereira. Esta etapa deve consumir R$ 5 milhões, recurso que já está liberado e é oriundo de emenda do deputado federal Henrique Fontana (PT), aprovada em 2008. A mesma cifra está prevista para a dragagem do trecho, que assegurará calado de 2,5 metros, e sinalização e depende de liberação pelo Ministério dos Transportes, segundo Pereira.

O município, que tem 80% de sua economia gerada pela lavoura de arroz, aposta na atração para transporte de produtos para construção civil. A pavimentação ocorrerá numa extensão de 750 metros. Uma iniciativa para transformar o antigo prédio do terminal em centro turístico já está em andamento. A reforma das instalações está orçada em R$ 650 mil, sendo R$ 550 mil do Ministério do Turismo. A estrutura prevê restaurante, museu temático, observatório de pássaros e pontos de venda de produtos típicos. O prefeito adianta que a meta futura é construir nova área de atracagem, mais próxima do acesso ao canal. “Mas isso depende da consolidação da navegação de cargas”, condiciona o administrador.

O superintendente da administração das hidrovias do Sul, ligado ao Ministério dos Transportes, José Luiz Fay Azambuja, destaca que a mudança de mentalidade é passo importante para tornar atraente a alternativa hidroviária. Hoje 80% das cargas que ingressam no Rio Grande do Sul, oriundas do Uruguai, ocorrem por Jaguarão e Chuí e por via terrestre. Entre Santa Vitória e o porto de Pelotas, a hidrovia soma 230 quilômetros. Até o porto de Estrela, são 650 quilômetros.

Além de reativar a alternativa de transporte de cargas na região – o porto foi implantado há 50 anos e operou apenas dez anos como opção de navegação antes da construção da BR-471 – o terminal deve viabilizar a ligação com o Uruguai, dentro da meta de criar a hidrovia do Mercosul. Prefeitura e superintendência do porto do Rio Grande tiveram encontros nos últimos meses com a Intendência de Cerro Largo, no lado uruguaio, que reivindica ações para garantir a navegação na lagoa Mirim. O superintendente do porto rio-grandino, Janir Branco, se reuniu com os uruguaios e representantes da empresa Fadisol, que pretende instalar um terminal no rio Tacuari, para transportar cargas do Nordeste do país vizinho ao porto do Rio Grande. O percurso inclui a lagoa Mirim, o canal de São Gonçalo e a lagoa dos Patos. A nova estrutura deve ser concluída em 2010. A Fadisol já tem operações no terminal da Tergrasa, em Rio Grande, mas as cargas chegam por rodovia ao porto gaúcho.

COMMENTS