GM negocia mais de R$ 500 milhões com o BNDES

Consulta é a primeira etapa do processo de financiamento, que pode levar meses até a aprovação

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Parte do projeto da General Motors do Brasil (GMB) para a ampliação do Complexo Automotivo de Gravataí, a consulta para um empréstimo de um valor significativo, acima de R$ 500 milhões, já está no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Embora o banco não comente o assunto, fontes do mercado confirmam o pedido.

Consulta é a primeira etapa do processo de financiamento, que pode levar meses até a aprovação. Operações com a GMB não costumam ser feitas diretamente pelo BNDES com a montadora. São fechadas por agentes financeiros ou por intermédio de fiança bancária. É uma forma de reduzir o risco do financiamento. O mesmo deve ser feito para a nova linha, depois de completadas as consultas sobre a situação jurídica da montadora.

Por lei, o banco público não pode financiar empresas em concordata – a matriz da GM nos Estados Unidos está em recuperação judicial. Na avaliação de especialistas, como a unidade no Brasil não integra o pedido, não haveria problema, mas o BNDES precisa se cercar de cuidados.

– Não há impedimento legal. O BNDES leva em conta o interesse do Brasil, que é a manutenção das atividades da empresa – avalia Keyler Carvalho Rocha, administrador com experiência como interventor em processos de recuperação de empresas.

Recentemente, a GM contratou outro financiamento, de R$ 190 milhões, para desenvolver novos produtos. Além da consulta para o empréstimo mais vultoso, a montadora ainda tem outro pedido em análise no banco. Fontes do mercado informam que o BNDES já providenciou uma consulta para se assegurar da legalidade da operação, mesmo que seja feita por meio de agentes financeiros ou carta de fiança.

Ontem, reunião do grupo de trabalho para resolver o impasse criado pela decisão judicial que impede a concessão de novas licenças ambientais no complexo de Gravataí encaminhou propostas, mas alternativas só devem ser costuradas nos próximos dias. A decisão foi tomada por iniciativa do Ministério Público do Estado porque não foram cumpridos compromissos de compensações ambientais assumidos na implantação da unidade.

O plano para Gravataí

O projeto de ampliação da GM no RS:

> Investimento de US$ 1 bilhão

> Financiamento de US$ 500 milhões – US$ 350 milhões pelo BNDES e US$ 150 milhões pelo Banrisul

> Lançamento de uma nova família de modelos

> Produção adicional de ao menos 130 mil unidades ao ano, com potencial para alcançar até 165 mil/ano

> Duplicação das instalações do complexo

> Necessidade de aprovação do acordo na Assembleia Legislativa

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