Brasil ganha destaque em máquinas pesadas

A fabricante de equipamentos para construção Terex, por exemplo, aguarda ampliar em 15% seu faturamento na região latino-americana em 2009, chegando à marca de US$ 400 milhões na comparação com o ano anterior, na contramão do que tem sido observado no setor industrial mundial

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Em plena crise econômica, o Brasil ganha papel de destaque dentro do setor de equipamentos para o segmento de infraestrutura, já que é um dos poucos mercados que ainda apresenta expansão.

A fabricante de equipamentos para construção Terex, por exemplo, aguarda ampliar em 15% seu faturamento na região latino-americana em 2009, chegando à marca de US$ 400 milhões na comparação com o ano anterior, na contramão do que tem sido observado no setor industrial mundial. As informações confirmam que mais um setor está verificando os efeitos da crise mundial serem minimizados pelo desempenho de suas operações na América Latina – principalmente no Brasil. Assim, as fabricantes estão cada vez mais focadas nessas regiões e já fazem planos para aumentar seus investimentos e suas linhas de produtos para não perderem a chance de aumentar suas fatias nos mercados que ainda apresentam expansão.

“O Brasil está sendo um dos mais ativos do mundo em equipamentos de construção e está ajudando muito nesse momento de dificuldades no restante do mundo”, afirmou o presidente para Mercados em Desenvolvimento da Terex, Steve Filipov, que salientou que a participação dos países emergentes nos negócios da empresa, principalmente a América Latina, subirá dos atuais 23% para 40% nos próximos cinco anos. A projeção, ainda, é que esse número vá para 50% na próxima década. De acordo com Filipov, o desejo da fabricante é de trazer mais investimentos ao País. “O que queremos é ampliar a nossa participação no Brasil”, ressaltou o executivo. Já o presidente das operações da Terex na América Latina, André Freire, informou que a empresa está em fase de análise para aumentar a sua gama de produtos fabricados no Brasil. “Nesse momento de avaliação estamos verificando também se poderemos investir em nossa planta em Porto Alegre [RS] ou em outra localidade”, disse Freire. O executivo apontou os novos produtos da empresa, trazidos ao mercado brasileiro, como um dos responsáveis para a manutenção dos resultados das vendas nos últimos meses.

O mesmo está sendo verificado pela Volvo Construction Equipment, que verificou seu volume de vendas crescer 13% no primeiro quadrimestre de 2009 ante igual período de 2008.

O presidente da companhia para a América Latina, Yoshio Kawakami, afirmou que um terço do comercializado no período foram de equipamentos lançados nos últimos dois anos. “O Brasil está ganhando muita credibilidade. Hoje, poucos mercados são tão interessantes como o brasileiro”, afirmou Kawakami. Atualmente, o market share da companhia no País é de 12%, o dobro do anotado há dois anos. Segundo o executivo, o resultado deve-se exatamente ao esforço da empresa em promover lançamentos. As operações na região latina representam para a empresa 5% dos negócios do grupo, número que deve crescer nesse período de crise econômica. O presidente da Volvo Construction disse, ainda, que o interesse no mercado brasileiro tem atraído, por outro lado, novos concorrentes, como as fabricantes chinesas, que estão entrando com muita força no País.

Já a fabricante Case – que briga para ficar no topo da lista dos fabricantes que atuam no Brasil – aguarda queda de 20% no volume de vendas totais da companhia, mas não acredita que esse será um resultado negativo. “O Brasil tem sido o melhor País da América Latina”, afirmou Jim Mc Cullough, presidente mundial da companhia, que detém 23% de participação no mercado brasileiro de máquinas de construção e infraestrutura. Segundo o diretor comercial da companhia, uma das grandes vantagens em trazer mais produtos para serem produzidos localmente é a oportunidade de se aproveitar o benefício do Finame (linha de financiamento do BNDES).

Até o dia 6 de junho acontece em São Paulo o M&T Expo, que reúne 425 fabricantes de máquinas do setor de construção, infraestrutura e mineração. As chinesas marcam forte presença, também demonstrando estar de olho no mercado brasileiro.

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