Volks define fusão com a Porsche

Em discurso a jornalistas durante lançamento de veículo na noite da última segunda-feira, o presidente do conselho da Volkswagen, Ferdinand Piech, nomeou o presidente-executivo da montadora alemã, Martin Winterkorn, seu candidato para comandar a companhia resultante da fusão

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O presidente do conselho da Volkswagen formulou os termos para uma fusão da empresa com a Porsche, em um claro sinal de que a maior montadora europeia ganhou vantagem na disputa pelo controlo de poder com a rival de menor porte. Embora detenha mais da metade da Volkswagen, a endividada Porsche teve seu plano de comprar a concorrente arruinado pela crise financeira. Agora que a jogada para assumir a Volkswagen fracassou, a Porsche está lutando para ter influência em uma união com a terceira maior montadora do mundo e seu conjunto de marcas que vai da própria Volkswagen a Bugatti e Lamborghini.

Em discurso a jornalistas durante lançamento de veículo na noite da última segunda-feira, o presidente do conselho da Volkswagen, Ferdinand Piech, nomeou o presidente-executivo da montadora alemã, Martin Winterkorn, seu candidato para comandar a companhia resultante da fusão. Ele acrescentou que é improvável que o presidente-executivo da Porsche, Wendelin Wiedeking, fique satisfeito em assumir um papel mais “modesto” no grupo ampliado. Esse tipo de comentário de Piech, que também é um importante acionista na Porsche, já encerrou carreiras de outros executivos da companhia. Piech também minimizou as chances do vice-presidente financeiro da Porsche, Holger Haerter, assumir um posto importante no grupo. Para o executivo da Volkswagen, o diretor financeiro da empresa, Hans Dieter Poetsch, é mais digno de confiança. A Porsche se recusou a comentar as declarações de Piech.

Centro do poder – Piech revelou que já foi decidido que a matriz do novo grupo ficará na sede da Volkswagen, em Wolfsburg, na Alemanha. Mesmo com a crise financeira, a VW mantém operações com leve crescimento, como ocorre com a sua filial no Brasil.

Ele alertou que a Porsche precisa primeiro ter os € 9 bilhões (US$ 12,3 bilhões) em dívidas sob controle, antes de fechar o acordo. “Eu não posso imaginar que a Volkswagen assumirá o risco de outra companhia”, declarou Piech, acrescentando que não é a favor de vender uma fatia da montadora de carros de luxo para outro investidor.

Inversão do jogo – Os comentários de Piech demonstram como o jogo se inverteu para a Porsche depois de uma audaciosa oferta de aquisição proposta por Wiedeking e Haerter foi revelada.

“Caso ninguém tenha percebido, Piech está deixando claro hoje que ele é o vitorioso”, disse um analista que pediu para não ser identificado.

Para Piech, a fusão, na qual ambas as empresas afirmam querer finalizar dentro de quatro semanas, representa a chance para ele de ampliar o controle sobre a Volkswagen e a Porsche.

Ele e seu irmão, que juntos controlam pouco mais de 25 por cento da Porsche, têm travado uma disputa com seus primos e outros donos do clã rival da Porsche.

Ser absorvida no império da Volkswagen significaria à Porsche reduzir seu status de montadora para mais uma marca entre 10 do grupo.

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