Transportadores brasileiros reclamam de “fábrica de multas” na Argentina

José Carlos Becker, vice-presidente da ABTI, está assustado com a quantidade de multas que os caminhoneiros brasileiros estão recebendo no país vizinho

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“Infelizmente, algumas províncias da Argentina já se transformaram em fábricas de multas e o transportador brasileiro está pagando um preço caro demais por isso”. A reclamação é do vice-presidente da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), José Carlos Becker, em entrevista ao PortoGente. Ele está assustado com a quantidade de multas que os caminhoneiros brasileiros estão recebendo no país vizinho, busca uma maneira de impedir prejuízos aos donos de cargas e luta contra o que classifica de “crise diplomática”.

O foco do problema localiza-se na província de Entre Rios, uma das principais da Argentina e que hoje é uma rota obrigatória para 80% das cargas brasileiras que são exportadas à terra de Carlos Gardel. Segundo Becker, os policiais de Entre Rios multam indiscriminadamente e alguns chegam a cobrar “gratificações” para liberar os caminhões brasileiros. Um dos pontos mais usados para garfar o bolso de todos os veículos que saem do Brasil é a altura do caminhão. Uma triste situação que se arrasta há mais de 10 anos, sem solução e com agravamentos.

“Os nossos caminhões têm altura máxima permitida de 4,3 metros. Enquanto isso, nos outros países do Mercosul a altura máxima é de 4,1 metros. No final da década passada chegou-se a um consenso de que a medida deve ser a mesma, senão o transporte de cargas dentro do bloco comercial se tornaria inviável. Na prática, porém, isso não mudou. E o que mais me assusta é o fato de que o caminhão do Brasil é irregular até pagar a multa. Assim que paga, ele pode circular normalmente em Entre Rios. É óbvio que alguma coisa está errada nessa história”.
O vice-presidente da ABTI admite que algumas empresas brasileiras pagam valores absurdos de multas de trânsito. As que mais dependem do mercado argentino e despacham para lá toneladas de cargas regularmente chegam a pagar US$ 80 mil (R$ 160 mil) por mês, em boletos. Isso, em sua opinião, está gerando a queda na movimentação de mercadorias por via terrestre entre Brasil e Argentina. O que mais surpreende é que o problema não se repete na mesma intensidade no Uruguai e Paraguai, onde a altura máxima dos caminhões também é diferente.

“Montamos nas últimas semanas, com deputados e senadores do Rio Grande do Sul, sensibilizados com a questão do transporte, uma comissão para debater o caso e encontrar uma saída. Procuramos por conta própria embaixada, governo, tudo que se podia na Argentina. Mas o quadro é o mesmo”, reclama Becker, antes de fazer um desabafo. “E pode colocar na matéria que a altura do caminhão é o que está pegando no momento. A sensação é de que, assim que isso for resolvido, vão arrumar outro problema para aplicar mais multas aos motoristas brasileiros”.

O representante da ABTI tem documentados vários relatos de detenções abusivas, apreensões ilegais de documentos, exigências irregulares de equipamentos veiculares, furto de bens particulares de caminhoneiros e descumprimento de acordos de transporte do Mercosul. “A situação em Entre Rios precisa mudar. Você já imaginou como seria se São Paulo tivesse uma fábrica de multas? Tudo do Brasil passa por lá e o País pararia. O mesmo está ocorrendo na Argentina, mas só com quem é daqui. Passou da hora de acabarmos com isso. Queremos trabalhar”.

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