Sem exportação, caminhões buscam alternativas internas

As fabricantes Mercedes-Benz, Iveco, Volkswagen Caminhões (agora pertencente ao grupo MAN) e Ford tentam ver o cenário com otimismo

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Ao lado do desempenho positivo do segmento de veículos leves no Brasil, o setor de caminhões vive uma situação mais drástica, com perda de cerca de 70% de seu mercado de exportações e ainda sem vislumbrar uma melhora significativa no mercado doméstico, apesar da redução do IPI. As fabricantes Mercedes-Benz, Iveco, Volkswagen Caminhões (agora pertencente ao grupo MAN) e Ford tentam ver o cenário com otimismo, ao mesmo tempo que buscam encontrar brechas para conseguirem manter participação no mercado para comercializar seus produtos.

A expectativa em comum das quatro montadoras é que o ano será semelhante a 2007, com um volume para o mercado interno em torno de 100 mil unidades. Segundo o diretor comercial da Iveco, Alcides Cavalcanti, os níveis de estoque já estão equilibrados e a projeção é que os números obtidos em abril sejam repetidos nos próximos meses – no mês foram licenciados 8,4 mil caminhões, 24% a menos que o mesmo período de 2008, segundo dados da Anfavea ( associação das montadoras). “Agora com os estoques atuais se pressupõe uma maior retomada de produção”, salientou Cavalcanti.

A recuperação, por outro lado, ainda dependerá de diversos fatores, como projetos para renovação de frota – a idade média no Brasil está acima de 18 anos – e programas para financiamento para autônomos, fatores que poderão aliviar a situação dos produtores nacionais. Mas o ponto que mais preocupa as montadoras de caminhões é o mesmo que emperrou a alta de produção de veículos leves: o desabamento dos mercados de exportação brasileiro. Segundo o presidente da Anfavea, Jackson Schneider – que também é vice-presidente de RH, Jurídico e de Relações Institucionais da Mercedes-Benz do Brasil – o setor de caminhões é ainda mais sensível às exportações por conta de sua maior dependência do mercado externo. “Nós não vemos luz de expectativas positivas e esse é o nosso principal desafio”, afirmou Schneider.

Para demonstrar a queda, a diretora de Desenvolvimento de Rede da Mercedes-Benz, Tânia Silvestri, afirmou que a montadora comercializou 10 mil motores ao mercado norte-americano em 2008. No primeiro quadrimestre de 2009, por outro lado, as vendas englobaram apenas 31 unidades. “O impacto é muito forte e imaginar uma recuperação expressiva e ser muito otimista”, ressaltou Tânia.

Sem poder contar com o mercado externo, a chance está mesmo em território brasileiro. “Uma das coisas em discussão é a renovação de frota e eu diria que os astros nunca estiveram tão alinhados como agora. Isso é o mais viável”, afirmou o diretor de Operações da Ford Caminhões, Oswaldo Jardim, admitindo que a Ford verificou problema de capacidade em 2008 e por isso caiu menos que a média do setor. Ele ressaltou, no entanto, que a solução ainda irá requerer esforço, principalmente do governo brasileiro.

Segundo o diretor comercial da Iveco, Alcides Cavalcanti, uma proposta já está sendo desenhada pelas montadoras juntamente com a Anfavea. “Queremos um plano cascata. Ele não irá refletir diretamente no mercado de novos, mas dentro de um ano, um ano e meio vai acrescentar em nosso mercado”, afirmou o executivo. Segundo ele, o programa incentivaria a troca de caminhões de 18 anos, por de 15, de 15, por de 12 e assim por diante, tornando a idade da frota do País mais baixa.

Já Ricardo Barion, diretor de Marketing da Volkswagen Caminhões, que desde o início do ano está nas mãos do Grupo MAN, afirma que um dos problemas que precisa ser enfrentado é o crédito para a venda de usados. “O maior desafio será dar crédito para o autônomo, já que o usado faz parte do negócio”, disse. Segundo Barion, a empresa deverá ter uma outra visão a partir de junho, mês que termina redução do IPI, mas quando se aguarda melhora do mercado.(Fernanda Guimarães – DCI)

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