Mercado de seguros prevê fusões de porte ainda este ano

Essa posição tem atraído a atenção de companhias estrangeiras para fusões e aquisições, além de uma possível consolidação do setor ainda este ano

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Com o arrefecimento da crise financeira, o setor de seguros no Brasil obteve um destaque especial, com uma leve queda em seu crescimento. Essa posição tem atraído a atenção de companhias estrangeiras para fusões e aquisições, além de uma possível consolidação do setor ainda este ano.

“O mercado teve um crescimento muito pequeno, sentindo a redução da atividade econômica no Brasil, mas se mostra bastante estável se comprado a outros setores da economia nacional. O setor de transportes, por exemplo, foi um dos que sofreram mais”, explica Marcelo Homburguer, vice-presidente da unidade AON Risk Services, empresa especializada em consultoria de riscos, benefícios, corretagem de seguros e resseguros.

Homburguer lembra que há espaço para os estrangeiros entrarem no mercado brasileiro. “Há cada vez menos espaço, mais ainda existe. Acho que pode ocorrer de estrangeiros virem para o Brasil começar do zero. O caso da Marítima demonstra que o estrangeiro está vendo o Brasil com carinho, o que estimula as empresas brasileiras a continuarem com seus investimentos. Pode haver também uma consolidação do mercado, formando grandes empresas de seguros.”

O especialista ressalta que ainda não é o momento de se fazer nenhuma avaliação muito detalhada sobre o futuro do mercado de seguros no Brasil. “Ainda é cedo para avaliar a consolidação do setor”, afirma Homburguer.

A Marítima quer estar entre as cinco maiores seguradoras do País nos próximos cinco anos, depois de concluir a venda de 50% da empresa à Yasuda, subsidiária brasileira do grupo japonês Sompo, por R$ 336 milhões.

A companhia atualmente está entre as onze maiores do Brasil, prevê um crescimento de faturamento de 10% este ano, sobre o R$ 1,1 bilhão faturado no ano passado e afirma não ter sentido os efeitos da crise sobre seus negócios no primeiro trimestre.

“Estou otimista com o desempenho das companhias de seguros pra o segundo trimestre e principalmente para o segundo semestre deste ano. De uma maneira geral, a economia brasileira vem crescendo bem. Não vejo nenhum problema para o setor neste ano”, acrescenta Homburguer.

Para Filipe Acioli, analista do setor de seguros da Ágora Corretora, há um fator muito importante que fez com que as companhias se destacassem durante a crise global. “Este mercado apresenta uma característica anticíclica, porque trabalha com contratos de longo prazo; além disso, mesmo com a crise financeira ninguém deixa de fazer um plano de saúde ou o seguro do automóvel: a pessoa prefere economizar em outros gastos”, diz ele.

Quanto à consolidação do mercado brasileiro de seguros, Acioli acredita que os estrangeiros estão de olho nas companhias do Brasil. “Podemos esperar entrada de empresas estrangeiras por conta da grande variedade de produtos com o crescimento da economia”, explica o especialista.

Seguros na Bolsa

Mostra do bom momento vivido pelas seguradoras de capital aberto com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações ordinárias (com direito a voto) da Porto Seguro apresentam valorização de 8,83% no ano. Só no mês de maio a alta chegou a 4,25%. Nos últimos 12 meses, a queda do valor das ações é de apenas 22,11%.

A Unit da SulAmérica, que é composta por duas ações preferenciais e uma ordinária, obteve elevação de 78,35 no ano. No mês de maio, a alta ficou em 22,83%. Nos últimos 12 meses, a queda é muito pequena se comparada aos papéis de companhias de outros setores, ficando em -7,93%.

“Este pode ser considerado um setor defensivo na Bolsa: as ações crescem pouco no momento de euforia, mas apresentam pequena desvalorização no período de crise. As ações do setor de seguros devem se manter estáveis no mercado”, afirma Acioli.

No ano, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa, apresenta valorização de 35,33%. (Eduardo Puccioni – DCI)

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