Logística aposta em “onda” de etanol

A perspectiva é que da safra do ano passado até a de 2017 a produção mundial do produto avance mais de 150%

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Apesar de viverem um momento de retração no volume global de carga, por conta da atual turbulência econômica, as empresas de logística preparam parte da cadeia brasileira para absorver a demanda iminente de etanol. A perspectiva é que da safra do ano passado até a de 2017 a produção mundial do produto avance mais de 150%.

No Brasil, a implantação de um alcooduto da Centro Sul Transportadora Dutoviária, do Grupo Brenco, deve custar R$ 2,7 bilhões, e ligar o centro-oeste à Baixada Santista, em São Paulo, enquanto a Copape Terminais Portuários aplicará R$ 40 milhões na construção de um píer no Porto de Santos – especialmente para atender os navios químicos. A empresa revela ainda estar de olho na implantação de um segundo píer e a perspectiva é de que tudo deva estar em funcionamento a partir de 2010.

A Transjordano Transportes, especializada no transporte de combustíveis e cargas gerais por via rodoviária, confirma estar preparada para absorver as novas oportunidades e afirma não temer perda de mercado devido à construção de alcoodutos, teoricamente concorrentes do modal rodoviário. “Haverá espaço para todo mundo trabalhar, pois são expressivos os volumes que virão”, comentou Jordano Bessa, diretor da Transjordano, explicando que os diferentes meios de movimentação que serão criados para o etanol devem complementar-se, não concorrer entre si.

De acordo com Bessa, a companhia tem hoje capacidade para transportar 8 milhões de litros de etanol ao dia, sendo que 80% do negócio da Transjordano está hoje relacionado ao transporte do produto.

Bessa contou que a transportadora dispõe de frota de 205 caminhões que podem ser dedicados à movimentação de etanol, e que neste momento aguarda uma sinalização do mercado, em que houve queda de preços e de demanda, para fechar novos investimentos em veículos.

“Estamos aguardando, mas cremos que ele [o mercado] vai se recuperar, sim. Assim teremos como expandir a nossa frota, conforme houver maior necessidade”, disse o executivo da Transjordano, que acaba de realizar uma compra de veículos para atender outros segmentos da empresa. A Transjordano é originária da cidade de Paulínia, interior de São Paulo, região no entorno de usinas de cana-de-açúcar. A corporação mantém no portfólio clientes como Petrobras, Ipiranga, Copersucar, Cosan e Bunge, entre outros.

A companhia também integra o grupo da International Ethanol Trade Association (IETHA), associação internacional que se transformou em um centro de referência mundial em etanol.

Alcooduto

Moacir Megiolaro, diretor de Operações da Centro-Sul/Brenco (Companhia Brasileira de Energia Renovável), contou da viabilidade da instalação de um alcooduto para escoamento do etanol brasileiro, durante encontro com especialistas, na última semana, em São Paulo. “A Centrosul foi criada pelo grupo para desenvolver o projeto”, afirmou.

A Brenco atua no setor de etanol abrangendo da produção e comercialização à logística do biocombustível, e agora, com o braço Centrosul, pretende pôr em operação comercial em 2011, o alcooduto que deverá transportar o etanol do Município de Alto Taquari (MT) às docas santistas, trecho com cerca de 1,2 mil quilômetros de extensão.

Megiolaro apontou como vantagens competitivas do duto logístico o significativo aumento da produção no centro-oeste, aliado à carência de um transporte eficiente, que não desencadeie altos custos ou cause perdas aos clientes. Além disso, foram citados os impactos na redução de poluentes, devido à retirada de milhões de caminhões das estradas.

O empreendimento de cerca de R$ 3 bilhões contará com 9 estações de bombeamento e 8 terminais, que possibilitarão o transporte de 8 milhões de metros cúbicos de etanol por ano (o equivalente a 8 bilhões de litros por ano). O tubo deve consumir 90 mil toneladas de aço, com a perspectiva de que, no último trimestre de 2011, as instalações funcionem a todo vapor.

Gargalo

Entre o escoamento da produção no mercado interno e a exportação do etanol, existe um gargalo a ser resolvido: a infraestrutura portuária, com a necessidade de maior adequação ao recebimento de navios de granéis líquidos químicos. O Porto de Santos, por exemplo, escoa 70% do etanol exportado do País, mas tem apenas quatro píers para estes navios.

A Copape Armazéns e Terminais é uma das empresas que realizam a operação destes granéis e, por meio de concessão, deve construir mais píers em Santos. “Somos hoje o único terminal que possui todas as licenças expedidas para construir um píer de forma imediata “, disse ao DCI Aquiles Dias, vice-presidente da Copape, explicando que o contrato de concessão possibilitaria a implantação de um segundo píer, que se encontra em processo de licenciamento ambiental. O primeiro píer ficará pronto em 2010 e foi projetado para operar com 15 metros de calado (profundidade) que o canal só alcançará depois das obras de aprofundamento. Com isso, Santos poderia receber navios com até o dobro da capacidade.

A Copape mantém 45% do market share das exportações de etanol a partir de Santos, o que equivale a 31% do que é enviado ao mundo. Em 2008, movimentou 1,6 bilhões de litros de etanol, atendendo a clientes como Corpersucar, Bioagência, Alcotra, Noble, Coimex, ETH e Brenco. (Fabíola Binas/ Priscila Machado – dci)

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