Ferroeste quer começar ampliação em 2010

Até agora, porém, não há anúncio de garantia dos recursos. “Estávamos estudando várias alternativas para permitir a execução das obras. Mas tínhamos um comprometimento do governo federal de que o projeto seria incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, diz Gomes

Montadoras voltam de férias com incertezas
Cosan investirá R$ 1,2 bi na ALL
Gollog inicia operações de carga no Uruguai

O presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, espera se reunir ainda esta semana com representantes da comissão que trata do projeto de expansão da ferrovia para saber mais detalhes sobre a liberação dos recursos para a obra. Na última sexta-feira, o presidente Lula, em entrevista por e-mail ao jornal Correio do Estado, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, disse que já estavam garantidos R$ 2,3 bilhões para o programa de ampliação. Segundo Gomes, a meta é concluir os estudos de viabilidade e os projetos executivos até o fim de 2009 e começar a obra em 2010.

Até agora, porém, não há anúncio de garantia dos recursos. “Estávamos estudando várias alternativas para permitir a execução das obras. Mas tínhamos um comprometimento do governo federal de que o projeto seria incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, diz Gomes. Ele não soube dar mais detalhes sobre a declaração de Lula e nem sobre a confirmação da verba. “Só poderemos ter uma posição após a reunião”, afirma. A Comissão de Consolidação da Ferroeste é coordenada pelo secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos, e é integrada ainda pelo secretário de Política Nacional de Transportes, Marcelo Perrupato. Ontem, não havia informações sobre a garantia dos recursos no ministério.

O projeto de ampliação prevê a construção de um ramal ligando Cascavel, no Oeste do Paraná, a Maracaju, no Mato Grosso do Sul, numa extensão de 450 quilômetros, e também a ligação de 365 quilômetros de Guarapuava (região central do estado) ao porto de Paranaguá. Outros dois ramais preveem a ligação de 300 quilômetros até o município catarinense de Chapecó e mais 170 quilômetros até Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai.

Atualmente a Ferroeste possui 248 km de extensão, ligando Cascavel a Guarapuava. “Podemos concluir a obra dentro de três anos”, afirma Gomes. A Ferroeste foi construída em parceria com o Exército no primeiro governo Requião, entre 1991 e 1994, com recursos de US$ 363 milhões.

De acordo com cálculos da Ferroeste, a demanda anual de movimentação de cargas na sua área de influência é de 20 milhões de toneladas/ano, quatro vezes maior que a capacidade atual. Gomes vem trabalhando com várias possibilidades para bancar a construção. A primeira delas é o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), que entraria com 80% do capital e os governos do Paraná e do Mato Grosso do Sul, com 20%. O governo do estado vizinho já anunciou que vai bancar os R$ 20 milhões para a construção da ponte férrea sobre o Rio Paraná. As outras opções seriam a criação de um Fundo de Propósito Específico (FPE), e o aumento de capital, com a injeção de recursos por meio da Valec, estatal federal de concessões ferroviárias, que tem uma participação minoritária na Ferroeste. Os financiamentos seriam pagos pela própria operação da ferrovia.

COMMENTS