Empregados da Randon dizem não para flexibilização

A gerente corporativa de recursos humanos, Maria Tereza Casagrande, reafirmando a crença da empresa na retomada da normalidade nas atividades, disse ainda não ter definida quais serão as soluções

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Das cinco empresas do grupo Randon, de Caxias do Sul (RS), somente na Randon Implementos, na Jost e na Master os empregados aprovaram a prorrogação do mecanismo de flexibilização da jornada de trabalho para os meses de maio, junho e julho, com percentual de 75%, 71% e 68%, respectivamente. O índice mínimo exigido na Convenção Coletiva de Trabalho é de 62% do total dos votos válidos. Na Suspensys e na Randon Veículos a votação ficou abaixo de 62%, com 54% e 59%, respectivamente.

Para estas, a direção avalia a adoção de medidas alternativas para adequar-se a realidade. A gerente corporativa de recursos humanos, Maria Tereza Casagrande, reafirmando a crença da empresa na retomada da normalidade nas atividades, disse ainda não ter definida quais serão as soluções. “Respeitamos a decisão das pessoas. Para eles, o que pesou foi a parte financeira, mas também é preciso compreender que hoje o volume de trabalho é menor pelas razões que todos conhecem”, comenta a executiva.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metal-mecânicas de Caxias do Sul, Assis Melo considera que o “não” dos funcionários da Randon Veículos e Suspensys pode ser interpretado como “a conscientização dos trabalhadores sobre as perdas salariais”, comenta o dirigente. “Significa dizer que eles já deram a sua cota de contribuição”, emenda Melo. Ao ser questionado sobre a vulnerabilidade destes empregados serem demitidos caso a situação não seja revertida, o dirigente destacou que o risco independe de acordo de flexibilização. “Mesmo com acordo houve demissões”, dispara.

Se for chamado pela empresa para debater o assunto, Melo deverá pedir uma trégua por um prazo de 90 dias para evitar as demissões. O rol de argumentos que pretende apresentar como alternativas é limitado e não estão bem claros ainda, mas pretende contar com envolvimento governamental. “Temos que buscar ajuda e discutir uma forma de sustentação” assinala Melo, que acumula o cargo de vereador em Caxias do Sul, pelo PC do B.

Na sessão da Câmara Municipal da última quarta-feira , Melo falou de sua preocupação com os índices que apontam a redução de seis mil postos de trabalho em Caxias, somente na categoria dos trabalhadores metalúrgicos. Segundo ele, o número corresponde a 12% de toda categoria.

A flexibilização valerá para menos de cinco mil funcionários. Para estes, serão reduzidos cinco dias úteis de trabalho a cada mês com a correspondente redução salarial mensal de 10,8%. A Randon São Paulo estuda a adoção do mecanismo.

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