Volks cresce duas vezes mais que mercado na disputa pela liderança

A contrário das demais montadoras que tiveram que reduzir o número de empregados para enfrentar a crise que abalou fortemente o setor automotivo, a Volkswagen, além de efetivar 1.400 empregados, ainda mantém 1.600 funcionários temporários em suas fábricas

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Depois de registrar no primeiro trimestre um crescimento de 8,5% (151.733 carros emplacados) – resultado duas vezes maior que o mercado automotivo brasileiro, que cresceu 4% no período -, a Volkswagen do Brasil tem como meta neste ano se manter na liderança em vendas de automóveis no País. “A Volkswagen está saindo melhor que o mercado e vamos trabalhar para manter o ritmo de crescimento”, disse Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil, a um grupo de jornalistas.

Segundo Schmall, o que ajudou a Volkswagen na conquista da liderança no País foi a reação rápida sobre a decisão dos lançamentos e o ajuste no produto para atender o desejo do consumidor. “Para este ano já temos programado o lançamento de 16 produtos para o Brasil”, disse Schmall.Segundo Schmall, o segredo para uma empresa conseguir enfrentar a crise atual é manter equilibrada a produção com a demanda. “A Volkswagen está ocupando 93% da capacidade de suas fábricas no Brasil e utiliza três turnos na sua fábrica de Curitiba (PR). Também diminuimos a complexidade na unidade de Taubaté (SP) e melhoramos a eficiência na produção”, afirmou o presidente da empresa.

A contrário das demais montadoras que tiveram que reduzir o número de empregados para enfrentar a crise que abalou fortemente o setor automotivo, a Volkswagen, além de efetivar 1.400 empregados, ainda mantém 1.600 funcionários temporários em suas fábricas.

Dos 18 produtos que fabrica nas suas unidades brasileiras, o Gol e o Voyage são os modelos de maior demanda no País, com participação de 50% nas vendas e resultados da companhia no Brasil.

Além do Brasil, o Gol é também o carro-chefe de vendas no exterior. Segundo Schmall, a Volkswagen exporta em média para 10 mercados por mês e o principal comprador da empresa é a Argentina, seguido do México e da Alemanha. Com a retração dos negócios em todo o mundo, a estimativa da Volkswagen é de exportar neste ano 150 mil carros, volume 11,7% menor que em 2008, quando enviou ao exterior 170 mil veículos.

Para o mercado brasileiro, Schmall não fez previsões de quanto serão as vendas e a produção da Volkswagen neste ano, pois admite que “o volume dependerá da reação do mercado nos próximos meses”.

Na sua opinião o mercado brasileiro vai andar bem nos próximos três meses, mas não espera que o desconto do IPI para os automóveis se estenda no segundo semestre. “Não acredito que a redução do imposto vai continuar depois de junho porque está perdendo força”, avaliou Schmall.

Para o presidente da Volkswagen, o que garantirá a movimentação do setor automotivo nos próximos meses será a linha de crédito mais acessível ao consumidor. “Só o imposto reduzido não ajuda o mercado”, disse Schmall.

“Se o financiamento mantiver o patamar igual ao do ano passado o setor terá neste ano uma retração que varia entre 2% a 5%. Mas se o custo do financiamento continuar elevado a queda do mercado automotivo vai variar entre 12% e 15%”, prevê o presidente da Volkswagen.

Brasil está melhor

Mesmo assim Schmall considera que o Brasil ainda está numa posição melhor que os outros países. “O Brasil não teve quebra de grande empresas e, além disso, os juros estão sob controle, proporcionando maior confiança ao consumidor”, destacou.

Segundo Schmall, dentro do Grupo Volkswagen a subsidiária brasileira representa 16% das vendas da marca no mundo. A China contribui com 30%. Schmall falou que os investimentos de R$ 3,2 bilhões até 2011 estão mantidos.

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