Transportes: Custos caem com soluções alternativas

A área de logística é uma das que mais oferecem oportunidades para o corte de gastos. Para isso, basta usar de criatividade. E, idéias é o que não falta. Mas é exatamente neste ponto em que as empresas travam

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A crise econômica que afeta a economia mundial tem forçado muitas empresas a buscarem soluções alternativas, principalmente com o objetivo de reduzir custos. A área de logística é uma das que mais oferecem oportunidades para o corte de gastos. Para isso, basta usar de criatividade. E, idéias é o que não falta. Mas é exatamente neste ponto em que as empresas travam. Pois a implantação de inovações requer a quebra de paradigmas, de hábitos arraigados nas corporações que, muitas vezes, são difíceis de mudar. Mesmo assim, há quem aposte na variação dos modelos e em novas soluções. E, os resultados não têm decepcionado. A Dedini Indústrias de Base, conhece bem o significado da palavra inovar. Especializada na construção de equipamentos e plantas industriais, ela foi a primeira empresa brasileira a desenvolver tanques de estocagem para a movimentação de suco natural pasteurizado (NFC) em navios.

De acordo com o gerente de projetos da Dedini, Carlos Eduardo Catosso, até então somente sucos concentrados eram transportados por via marítima. E a preparação do material exigia várias etapas que iniciavam pela extração da parte líquida, seguida da pasteurização, evaporação da água, para, no fim, o produto ser congelado a 10ºC abaixo de zero. Além disso, o material era movimentado em tambores ou em tanques de navios dedicados. Há alguns anos, as grande fabricantes brasileiros de sucos passaram a desenvolver processos para enviar ao exterior os produtos sem a necessidade de passar pela fase de evaporação, a uma temperatura entre 0ºC e 5ºC abaixo de zero. “Nesta temperatura, diferente da água, o suco ainda não congela – está apenas resfriado. Em função disso, surgiu a idéia de investir em uma solução para o transporte de suco”, explica Catosso.

Os tanques desenvolvidos pela Dedini em parceria com a empresa holandesa Trilobes, que forneceu a tecnologia para produção, possuem 17 metros de altura, 12 metros de largura, 12 metros de comprimento e capacidade para armazenagem de 1.700 toneladas de sucos. O equipamento também possui um sistema próprio de refrigeração e isolamento térmico. “Eles são semelhantes a uma geladeira gigante, pois têm a altura de um prédio de seis andares”, afirma Catosso.

Os novos tanques introduzem mudanças na logística de exportação de sucos. Eles permitem utilizar praticamente qualquer navio cargueiro, apenas com algumas adaptações. Cada tanque, posto no convés da embarcação, atua como um módulo reversível, compatível com o transporte de outros produtos. Isso significa que se sobrar espaço em um navio que está transportando celulose, por exemplo, ele pode ser preenchido com um tanque para transportar suco. “O equipamento facilita soluções comerciais, pois pode ser tirado e colocado em navios sem dificuldades”, garante Catosso.

Os tanques desenvolvidos pela Dedini apresentam ainda outra importante vantagem: podem ser utilizados para a movimentação de vários tipos de líquidos. Bastam algumas adequações e eles estão aptos para transportar líquidos como cervejas, refrigerantes e vinhos. “O transporte de vinho normalmente é feito em tambores ou em navios, congelado. O processo de enchimento e esvaziamento dos tanques construídos pela Dedini é muito mais ágil e industrial, e a assepsia é melhor”, revela Catosso. Na primeira quinzena de fevereiro, após seis meses de trabalho, a Dedini Indústria de Base terminou a montagem de quatro dos dez tanques para transporte de suco de laranja encomendados pela empresa francesa Louis Dreyfus. Os equipamentos foram fabricados em Piracicaba, São Paulo, e montados no porto de São Sebastião.

Brasilmaxi descobriu que estocagem em contêineres é mais barata

A Brasilmaxi, empresa com atuação no setor de transportes e soluções logísticas de armazenagem e distribuição com sede em São Paulo, está investindo em um novo conceito de armazenagem com a utilização de contêineres. “A ideia surgiu há três anos a partir de uma negociação com as empresas Semp Toshiba e LG”, explica o diretor comercial da Brasilmaxi, Marcelo Cunha. Pelo acordo entre as partes a empresa de logística pagaria a demurrage caso não transbordasse a carga no prazo estabelecido pelo armador. Em 2006, em função da superlotação dos seus armazéns gerais, a Brasilmaxi não teria onde desovar os contêineres para devolvê-los ao armador.

A saída foi alugar de outra empresa 80 contêineres nacionalizados para fazer transbordo da carga e utilizá-los como armazém e assim evitar o pagamento da demurrage, cujo custo é bastante elevado. A vantagem, neste caso, é que o aluguel é mais barato do que o pagamento de sobrestadia. Em função desta experiência, a Brasilmaxi percebeu que os contêineres poderiam ser utilizados como alternativa mais econômica ao pagamento da demurrage e também como sistema de armazenagem. No primeiro caso, a economia seria de 60% e, no segundo, de 20%.

Há seis meses, a empresa Levorin adotou a armazenagem em contêineres oferecida pela Brasilmaxi para estocagem dos pneus que produz. Segundo Cunha, em função da crise financeira mundial, houve uma retração nas vendas da Levorin, que ficou com seus armazéns cheios de produtos que não tiveram saída. Até a empresa reprogramar sua produção de acordo com a nova realidade do mercado, teria de armazenar os produtos em algum local. A opção foi a estocagem em contêineres, até porque a Brasilmaxi também estava com seus armazéns gerais com a capacidade esgotada. Integridade da carga, segurança e economia foram os fatores que convenceram a Levorin trocar os armazéns por contêineres.

Segundo explica Adhemar Gomes, coordenador de expedição da Levorin, com a utilização do novo conceito de armazenagem, notou-se que a ida e o retorno do produto tornou-se mais prático e rápido. “Com relação ao carregamento dos pneus, observamos redução na utilização de mão-de-obra, mais facilidade, maior agilidade, além da pontualidade no atendimento de horários tanto no fornecimento dos contêineres para carregamentos como no retorno dos produtos”.

De acordo com Gomes, ainda não dá para informar o número exato de produtos que são armazenados em contêineres. “Existe uma rotatividade constante para não manter nossos produtos no estoque. Embora estejamos em fase experimental, estamos muito satisfeitos com o serviço prestado pela Brasilmaxi”. Qualquer produto que não seja de temperatura controlada pode ser armazenado em um contêiner, que tem capacidade para 22 paletes e 76 m3 de espaço.

Cunha, no entanto, não recomenda a armazenagem em contêineres de cargas compostas por itens diferentes, pois não permite a movimentação de cada um. A estocagem em contêineres é indicada para produtos únicos, como é o caso dos pneus. “Mas a adoção deste tipo de solução requer uma quebra de paradigmas das empresas. Os empresários ainda não estão acostumados com todas as possibilidades de uso dos contêineres”, destaca.

Saraiva movimenta livros pelo modal marítimo

A Livraria Saraiva é outra empresa que também decidiu mudar: pela primeira vez utilizou o modal marítimo para movimentação das suas mercadorias. A solução foi adotada para o abastecimento da primeira Saraiva MegaStore instalada em Manaus, no Amazonas.

Para a execução desta tarefa foram movimentados, entre os portos de Santos (São Paulo), e Manaus, três contêineres de 40 pés com um total de mais de 52 toneladas de carga, composta principalmente por livros, móveis, material de papelaria e computadores. “A Aliança foi responsável por todo o transporte porta-a-porta, coletando os produtos no Centro de Distribuição da Saraiva, localizado em Tamboré (São Paulo), até o destino final, no bairro de Adrianópolis, em Manaus”, explica Daniel Amaral, coordenador de projetos logísticos da área de cabotagem da Aliança Navegação e Logística.

Os contêineres foram embarcados nos navios Aliança Santos e Aliança Ipanema, em duas viagens, em 28 de fevereiro e 7 de março. O tempo de trânsito em cada viagem foi de 13 dias.

Para Marcílio D’Amico Pousada, diretor-presidente da Livraria Saraiva, a opção pelo serviço de cabotagem da Aliança ocorreu em razão da segurança do modal, considerando o alto valor agregado dos produtos embarcados, a integridade das cargas (altamente sensíveis à umidade) e a isenção do risco de sinistros existentes no transporte rodoviário. “Tivemos a certeza do prazo de viagem para atender ao cronograma de montagem da loja, e a via marítima não sofre com as variáveis externas existentes no transporte rodoviário”, ressalta.

Segundo o executivo, as vantagens verificadas no transporte realizado pela Aliança foram a facilidade de carregamento e a arrumação das mercadorias de dimensões variadas dentro dos contêineres. “Existe um limite de valor máximo de mercadorias permitido por carreta em razão de questões que envolvem seguro e gerenciamento de risco, ou seja, a mesma quantidade de carga que foi transportada em três contêineres, mesmo fisicamente compatível com três carretas, teria que ser subdividida em mais carretas para evitar custos extras com escolta porta-a-porta, maior porcentagem de gerenciamento de risco e seguro, o que geraria uma despesa fixa por caminhão não carregado em sua totalidade. Assim, estaríamos pagando por espaço não utilizado”, completa.

Além disso, de acordo com Pousada, a Saraiva teve uma redução em torno de 20% no custo total para o peso e valor das mercadorias embarcadas comparando o uso da cabotagem com o modal rodoviário. “A atenção recebida de todos os departamentos da Aliança, desde a cotação de preços até o desembaraço junto à Suframa é outro fator importante do sucesso da parceria pioneira entre as empresas”, finaliza.

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