Sistema de transporte rodoviário aumenta custo de produção, avaliam especialistas da CNA e CNT

De acordo com estudo de 2008, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), citado pelo consultor, o aumento da competitividade pela redução do custo dos transportes nas exportações é, pelo menos, duas vezes mais significativo do que a eliminação de sobretaxas dos importadores

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O transporte contribui com o aumento dos custos do agronegócio, o que impede o Brasil de melhorar sua competitividade no mercado internacional, afirmou Consultor de Infraestrutura e Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet. Ele defendeu a integração das modalidades do sistema de transporte – rodoviária, hidroviária e ferroviária – para escoar a produção agropecuária com menor custo. As observações foram feitas em audiência pública, realizada nesta quinta-feira (16), que discutiu o sistema de transporte de cargas na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).

Luiz Fayet disse, como exemplo, que o Brasil despende com transporte de sua produção o dobro do que os Estados Unidos. Em sua opinião, a utilização do sistema hidroviário deve ser incentivada, uma vez que representa menor custo logístico e ambiental.

De acordo com estudo de 2008, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), citado pelo consultor, o aumento da competitividade pela redução do custo dos transportes nas exportações é, pelo menos, duas vezes mais significativo do que a eliminação de sobretaxas dos importadores. Ainda segundo o BID, disse Luiz Fayet, a crise econômica mundialEntenda o assunto exigirá parcerias entre os setores público e privado, uma vez que os países latino-americanos não terão recursos para realizar os investimentos essenciais ao desenvolvimento.

Na opinião do representante da CNA, o maior gargalo no transporte de cargas no Brasil está no sistema portuário. Ele criticou o decreto presidencial que trata da política portuária (Decreto 6.620/08), que impediria os empresários de se organizarem para investir em portos no Brasil e criaria obstáculos à expansão das exportações brasileiras.

– É muito mais difícil nós tentarmos, em DohaEntenda o assunto [no Qatar, cidade na qual acontece a reunião da Organização Mundial do Comércio], convencer os países importadores e outros exportadores a adotarem uma posição favorável ao Brasil do que fazer a lição de casa, resolvendo os problemas de infraestrutura que vão multiplicar a nossa capacidade competitiva – argumentou Fayet.

Os países com grande extensão territorial, como China e Estados Unidos, ressaltou o diretor-executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, utilizam de forma prioritária o transporte ferroviário e aquaviário, diferente do Brasil – que adotou o transporte rodoviário. No entanto, observou, apenas 25% das estradas brasileiras estão em boas condições, o que gera aumento de 30% do custo de produção e influencia no custo Brasil – o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no país.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, informou Bruno Batista, reservou ao setor de transporte R$ 52 bilhões. De acordo com plano de logística do CNT, composto por 586 projetos para melhorar a infraestrutura de transportes do Brasil, seria necessário investimento mínimo de R$ 289 bilhões.

Para o vice-presidente da CI, senador Eliseu Resende (DEM-MG), é preciso investir simultaneamente no agronegócio e na infraestrutura. Ele também defendeu o “encurtamento das distâncias do país” por meio da combinação de todas as modalidades de transportes como meio de aumentar as exportações brasileiras com lucro para o setor do agronegócio.

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que propôs o debate, ressaltou que, nos últimos anos, houve crescimento da produção agropecuária brasileira, mas a logística não cresceu na mesma proporção. Ela atribuiu as dificuldades enfrentadas pelo setor à falta de planejamento dos sucessivos governos.

– A logística é o maior problema do setor agropecuário, mais que o próprio crédito, porque as estradas retiram toda a possibilidade de lucro. Quando abrimos a porteira da propriedade para levar a produção, começa o desespero porque no transporte fica toda a possibilidade de renda – salientou Kátia Abreu.

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