Rússia dá bilhões de dólares para a produção do ultrapassado Lada

Conhecida como Avtovaz, é uma das fábricas automotivas menos eficientes de todo o mundo - cada operário produz, em média, oito carros por ano, em comparação com 36 carros por ano na linha de montagem da General Motors

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Se existe um país que precisa realmente de um czar, esse país é a Rússia , terra dos czares – e do Lada. A fábrica aqui vem repetindo a mesma versão do Lada, o típico carro retangular do ex-Bloco Oriental, por quatro décadas.

Conhecida como Avtovaz, é uma das fábricas automotivas menos eficientes de todo o mundo – cada operário produz, em média, oito carros por ano, em comparação com 36 carros por ano na linha de montagem da General Motors em Bowling Green, Ky., por exemplo.

Mesmo assim o governo está concedendo à Avtovaz (pronuncia-se aft-OV-az) bilhões de dólares em ajuda sem pedir nada em troca. Nada de demitir o principal executivo. Nada de renegociar os contratos dos trabalhadores. Nada de exigir a produção de veículos melhores, muito menos carros híbridos e com rendimento de combustível – o primeiro carro com airbag foi lançado aqui em 2005.

Entretanto a ajuda automotiva, ao estilo russo, pretende mais garantir a tranqüilidade nas ruas do que reestruturar um negócio, para tristeza de alguns críticos que acham que um arrocho seria melhor.

“O problema central é excesso de proteção do governo,” disse Yegor T. Gaidar, ex-primeiro-ministro. “A fábrica irá gerar uma série de problemas para a economia russa como a General Motors gerou para os Estados Unidos.”

Barril de pólvora

A preocupação de Moscou se estende muito além dos automóveis, à medida que a ansiedade econômica faz com que os trabalhadores da China até a Ucrânia e a República Checa, políticos e economistas digam que o Kremlin calcula que poderá manter a paz ajudando os operários russos.

A base fabril do país , instável na melhor das hipóteses, se contrai rapidamente com a desaceleração mundial. As demissões se avolumam.

A manufatura declinou 13% só em fevereiro. E o descontentamento tumultua as cidades fabris menos lucrativas da Rússia.

Dezesseis operários siderúrgicos russos em 11 de março anunciaram uma imensa greve para protestar sobre os cortes salariais na usina dos Montes Urais. (Na mesma semana a Severstal, uma das maiores empresas siderúrgicas da Rússia , anunciou que iria demitir entre 9 mil e 9,5 mil empregados.)

O gerenciamento da Avtovaz, em resposta aos questionamentos feitos, elogiou “as vantagens inquestionáveis” da companhia em uma época de recessão, devido a sua linha barata de produtos. O carro atualmente comercializado com o nome de Klassika é vendido por US$ 4,160.

“Em época de crise, a Avtovaz sempre tem um produto que as pessoas querem comprar”, disse a empresa .”Avtovaz não demitiu ninguém e nem pretende fazê-lo.” Porém a fábrica está funcionando só quatro dias na semana com dois turnos de seis horas. Os trabalhadores recebem propostas de licenças com dois terços do pagamento.

Mas mesmo os sindicatos, acostumados a pensar sempre o pior sobre os gerenciamentos, dizem que as demissões são inconcebíveis aqui.(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 1)(The New York Times)

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