Reforma tributária seria melhor que incentivos

Alencar disse que as medidas anunciadas na segunda-feira beneficiam setores isolados, mas a reforma tributária dinamizaria toda a economia

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O presidente em exercício, José Alencar, afirmou ontem que a prorrogação, por mais três meses, da redução do Imposto Sobre Produto Industrializado (IPI) na compra de veículos e as demais medidas de estímulo à economia deverão minimizar os efeitos da crise financeira internacional, favorecendo o crescimento econômico de forma setorial. No entanto, Alencar considera melhor para o país a efetiva aprovação do projeto de reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional.

Alencar disse que as medidas anunciadas na segunda-feira beneficiam setores isolados, mas a reforma tributária dinamizaria toda a economia. Ele reconheceu, porém, que ainda vai levar muito tempo para que isso ocorra.

“Uma reforma ideal não é nada fácil, porque tem de consultar os 26 estados, além do Distrito Federal, e cada um deles tem interesses especifícos.” Isso é resultado da democracia, afirmou. “Como disse Winston Churcill [primeiro-ministro britânico nas décadas de 40 e 50], a democracia é péssima, mas não existe um regime melhor.”

“O presidente Lula está muito preocupado em neutralizar [os efeitos] do desemprego na economia”, ressaltou Alencar. Por isso, os estímulos fiscais para a construção civil poderão ajudar a dinamizar a área habitacional e, por consequência, outros setores.

Quanto à possibilidade de um repasse do custo fiscal sobre os cigarros para o consumidor final, Alencar considerou saudável para a sociedade, porque deverá diminuir o número de fumantes.

Ele deu as informações ao dei-xar, nesta tarde, o Hospital Sírio-Libanês, onde permaneceu por sete horas, para a troca de um catéter no canal de ligação do rim para a bexiga.

Alencar, de 77 anos, luta contra o câncer. Em fevereiro, ele passou por uma delicada cirurgia, mas em cerca de 15 dias já tinha recebido alta. Demonstrando vigor físico, assim que deixou o hospital, viajou para Brasília, onde cumpriria, ainda ontem, compromissos.

Questionado sobre a possibilidade de vir a disputar uma vaga no Senado, ele disse que a idéia não é totalmente descabida. Mas Alencar não chegou a dizer se continuaria na política depois do fim de seu mandato.

“Eu tenho o maior apreço pelo Senado e penso que todos nós temos que fazer de tudo para recuperar sua imagem. Estou com 77 anos e quando terminar meu mandato vou estar com 79. E eu posso disputar mais umas três ou quatro eleições”, disse, em tom de brincadeira.

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