Proibição de tráfego é letra morta

Passados dois meses desde que o Consema proibiu o tráfego de caminhões na rodovia entre Cuiabá e Chapada, decisão ainda não é cumprida

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O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) tomou a decisão de proibir o tráfego de carretas pela rodovia MT-251, que dá acesso ao município de Chapada dos Guimarães, além de fazer a ligação com a cidade de Campo Verde, há quase dois meses. Contudo, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio da Polícia Militar (PM), ainda não deu início às fiscalizações que possam impedir o tráfego pesado pela estrada parque.

Segundo o membro do Consema, o professor e coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Rubem Mauro Palma Moura, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) já deveria ter notificado a Sejusp e a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), responsáveis por fazer cumprir a resolução.

Entretanto, de acordo com a assessoria de imprensa da Sejusp, a secretaria ainda não recebeu nenhuma notificação. A mesma afirmação feita também pelo comandante da PM, coronel Antonio Benedito Campos Filho.

O professor foi quem presidiu o estudo de impacto na rodovia, cujo processo foi fundamental para a criação da resolução 28/09, que determina, desde o dia 27 de fevereiro, a proibição do tráfego de veículos pesados pela rodovia MT-251.

De acordo com Rubem Mauro, o motivo principal do impedimento é o fato da estrada cortar todo o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. “O tráfego desses veículos coloca em risco a vida de diversos animais presente na fauna da região. Não dá para acreditar que até hoje nada foi feito. Não dá mais para continuar fazendo parte dessa falta de compromisso, a partir de hoje (15) não participo mais do Conselho”, desabafa.

A equipe de reportagem transitou pela estrada até a cidade de Chapada. Numa parada feita na Salgadeira, em menos de dez minutos foi possível avistar três carretas carregadas de calcário. Segundo a educadora ambiental Flaviane Santos de Brito, de 23 anos, que trabalha no local, a média de carretas que passam pela rodovia é de dez veículos por dia, sendo que a grande maioria é de calcário. É o que afirma o vendedor Wederson Filsner, de 28, que trabalha no Portão de Inferno, outro importante ponto turístico da região. De acordo com ele, desde que foi finalizada a obra de pavimentação da rodovia MT-140, o trânsito de carretas aumentou em cerca de 50%. O vendedor de latas Auri Miguel Limberger, 51, que mora embaixo da ponte sob o Portão do Inferno, diz que no local já é possível observar rachaduras.

Segundo afirma o secretário de Planejamento de Chapada Sebastião Moreira, além de gerar danos à natureza, o tráfego de carretas prejudica também a infraestrutura da cidade. “Na entrada da cidade, o asfalto já está cedendo. O governo tem que tomar uma medida urgente”, reclama. Procurados durante a semana pela reportagem, o secretário da Sema, Luiz Henrique Daldegan e o da Sinfra, Vilceu Marcheti não responderam às nossas solicitações de entrevista.

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