Prestes a ser vendido, Ponto Frio desacelera ritmo de crescimento

O Ponto Frio resolveu reduzir o ritmo de abertura de lojas neste ano. Depois de inaugurar 41 unidades no ano passado, chegando a um total de 458 lojas, a segunda maior varejista de eletroeletrônicos do País tem planos de abrir entre 20 e 25 pontos-de-venda em 2009

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Para preservar seu caixa, de R$ 122,1 milhões (valor correspondente ao final de 2008, considerando títulos e valores mobiliários), o Ponto Frio resolveu reduzir o ritmo de abertura de lojas neste ano. Depois de inaugurar 41 unidades no ano passado, chegando a um total de 458 lojas, a segunda maior varejista de eletroeletrônicos do País tem planos de abrir entre 20 e 25 pontos-de-venda em 2009.

Além do ritmo menor, a rede já fechou este ano 10 lojas, bem perto dos 12 fechamentos realizados em todo o ano de 2008. O processo faz parte do projeto de reestruturação iniciado em 2007. “Eram lojas não rentáveis e que não tinham perspectivas de se tornarem rentáveis”, explica o presidente da empresa, Manoel Amorim.

O plano de expansão deste ano dá prioridade a lojas localizadas em shopping centers. O foco é seguir a mesma estratégia adotada no ano passado, que serviu para redefinir seu perfil de clientes. “A ideia é atrair um público de perfil mais rentável”, afirma a companhia no balanço dos resultados de 2008. As aberturas ocorrerão principalmente no estado de São Paulo. A varejista, colocada à venda há pouco mais de uma semana, vai ter em 2009 um ano de muitos desafios na opinião de Amorim. “Estamos reduzindo custos para enfrentar o ano e não perder o progresso feito em 2008”, diz.

No ano passado, as despesas operacionais aumentaram 15,8%, passando para R$ 914,7 milhões. Apesar do aumento, a empresa conseguiu reduzir em 19,9% as despesas gerais e administrativas. O aumento das despesas foi causado, segundo a empresa, pela abertura de lojas e pela reestruturação do comércio eletrônico e da plataforma de financiamento via cartão de crédito Ponto Frio Flex (que atingiu uma base de 118 milhão de plásticos emitidos). Além disso, as mudanças no modelo de gestão de crédito e de negócios do Banco Investcred acabaram impactando negativamente nas receitas. “As melhorias de tudo isso serão sentidas ao longo deste ano”, afirma o diretor financeiro e de relações com investidores, Marcos Rocha.

Na avaliação de Amorim, o Ponto Frio entrou em 2009 ajustado ao momento de crise, principalmente por conta das mudanças no que diz respeito a concessão de crédito. A financeira e o comércio eletrônico devem ser, de acordo com o executivo, o principais vetores de crescimento de 2009.

A crise financeira mundial já provocou uma redução de demanda e para enfrentá-la a empresa está sentando à mesa com fornecedores para discutir, principalmente, os prazos de pagamento. No quarto trimestre de 2008, a varejista já conseguiu uma ampliação de 14 dias no prazo médio de pagamento. O prazo médio de estoques encerrou 2008 com 49 dias contra 40 dias em 2007.

No ano passado, a empresa apostou em sua loja virtual. Contratou um time de executivos com experiência no canal internet e implementou novas plataformas tecnológica e logística. “Vínhamos com uma operação tanto de vendas como de logística subordinada às lojas físicas”, diz Amorim. O resultado: um crescimento de 19,8% em 2008 na receita bruta de vendas do canal internet, que chegou a R$ 198,8 milhões.

Apesar dos investimentos feitos no ano passado – R$121 milhões, 61,2% mais que em 2007 -, e dos progressos obtidos, a varejista ainda está, nas palavras do próprio Amorim, “muito aquém do que pode ser feito”. “Não temos habilidade de fazer precificação por loja. Nosso sistema não permite”, afirma, acrescentando que parte do trabalho da empresa ainda é realizado através de planilhas do programa Excel.

Amorim diz não estar surpreso com o interesse já manifestado por outras empresas na compra do Ponto Frio. “É uma marca forte, com ampla presença de lojas, a segunda maior varejista de eletroeletrônicos do País. Um ativo atraente”, afirma. Já manifestaram interesse Lojas Americanas, Baú Crediário e Insinuante. Mas o mexicano Ricardo Salinas, que entrou no Brasil há um ano com a rede de varejo Elektra e o Banco Azteca, também deve participar do “leilão” da Globex, cujo valor de mercado é avaliado em R$ 860 milhões.

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