Exportações gaúchas recuam 29,4% até março

Os desaquecimentos mais significativos no acumulado do ano aconteceram nos setores de Metalurgia Básica (-65%), principalmente de tubos de ferro e barras e ligas de aço

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As exportações gaúchas apresentaram queda de 29,4% no primeiro trimestre, frente ao mesmo período de 2008, somando US$ 2,47 bilhões. No setor industrial, que respondeu por 95% desse resultado, o recuo chegou a 25,9%. Os números foram analisados pelo presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Paulo Tigre. O desempenho ficou bem abaixo da média nacional, que registrou uma perda de 19%. “A retração da demanda externa tem afetado segmentos que, tradicionalmente, embarcam grandes volumes de mercadorias, como é o caso de Alimentos e Bebidas, Químicos e Couro e Calçados. Eles mostraram as maiores desacelerações em valores absolutos, representando menos US$ 581 milhões na balança comercial do Estado” explicou o industrial.

Os desaquecimentos mais significativos no acumulado do ano aconteceram nos setores de Metalurgia Básica (-65%), principalmente de tubos de ferro e barras e ligas de aço; de Extrativa Mineral (-56%), voltada para pedras semipreciosas; Material de Transporte (-44%), com ênfase em autopeças e chassis e carrocerias para veículos; e Couro e Calçados (-40%). Em Alimentos e Bebidas, que tem a maior participação na pauta das exportações industriais do Estado (29%), a perda de 23% foi consequência direta das vendas de óleo de soja, que desabaram 66%, e de carnes (-15%). Ambas representaram uma redução em US$ 183 milhões no trimestre.

“Essa queda foi mais influenciada pela menor quantidade embarcada do que pela baixa dos preços praticados no mercado internacional”, explica Tigre. Dos 18 segmentos pesquisados, ficaram positivos apenas Fumo (11%), Refino de Petróleo (2%), com embarques de óleo diesel; e Indústria Diversa (7%), que se destacou pela venda de energia elétrica para o Uruguai.

Os principais destinos das exportações do Rio Grande do Sul continuam sendo Estados Unidos (US$ 293 milhões), Argentina (US$ 223 milhões), China (US$ 125 milhões) e Rússia (US$ 111 milhões). Porém, em todos foram verificados recuos no período. O mais acentuado veio dos argentinos, que reduziram em 45% os pedidos. Nesse caso, as dificuldades econômicas do país vizinho prejudicaram os embarques de colheitadeiras, tratores e produtos químicos. Também teve uma queda significativa os pedidos dos americanos (-23%), com redução nas vendas de calçados e fumo.

Com esta performance no trimestre, o Rio Grande do Sul confirmou a terceira posição entre os estados exportadores, com 7,9% de participação nos embarques brasileiros. Em primeiro lugar está São Paulo (29,1%), seguido de Minas Gerais (13,9%).

As importações gaúchas desabaram 46% no primeiro trimestre de 2009, ante igual período de 2008, e totalizaram em US$ 1,7 bilhão. O maior decréscimo foi registrado em matérias-primas e bens intermediários, devido à redução da compra de trigo (-68,9%). Já a categoria de combustíveis e lubrificantes apresentou uma perda de 68%, com recuo acentuado nas importações de óleos brutos de petróleo (-69%) e de naftas para petroquímica (-61%). “Esse resultado é reflexo da desaceleração da produção industrial gaúcha”, avalia Tigre. As compras gaúchas que aumentaram foram em bens de consumo não duráveis (46%), puxado pelo fumo; e bens de capital (19%), com foco em prensas para fabricação de painéis e tratores. Assim, o saldo comercial do Estado no acumulado do ano fechou positivo em US$ 680 milhões. Quando analisado apenas o mês de março, as vendas externas do Estado caíram 22%, em relação ao mesmo período de 2008. Nessa base de comparação, os embarques somaram US$ 898 milhões e as indústrias responderam por 95% do resultado. A retração da demanda internacional tem afetado segmentos que tradicionalmente embarcam grandes volumes de mercadorias, como é o caso de Alimentos e Bebidas, Couro e Calçados e Químicos. Esses setores mostraram as maiores quedas em valor absoluto, representando menos US$ 581 milhões na balança comercial do Estado. As importações também retraíram em março, com queda de 47%, registrando US$ 611 milhões, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

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