Conab eleva pela 5ª vez estimativa para grãos

No ano passado, o Brasil colheu 144,1 milhões de toneladas, utilizando uma área de 47,4 milhões de hectares. Ou seja, conforme o novo levantamento, haverá uma redução de 4,5% na produção e aumento de 0,4% na área, caracterizando um ano de menores índices de produtividade

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A cada novo levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revê para cima a estimativa da produção brasileira de grãos. De acordo com o levantamento atual, o Brasil vai colher 137,5 milhões de toneladas de grãos na safra 2008/09 – crescimento de 2,25 milhões de toneladas na comparação com a projeção de que o País produziria 135,3 milhões de toneladas, conforme divulgou a Conab em março. O salto de 1,6% na produção foi impulsionado principalmente pelas boas condições climáticas na região Sul. A área plantada foi revista em 47,6 milhões de hectares, queda de 200 mil hectares em relação à estimativa anterior.

No ano passado, o Brasil colheu 144,1 milhões de toneladas, utilizando uma área de 47,4 milhões de hectares. Ou seja, conforme o novo levantamento, haverá uma redução de 4,5% na produção e aumento de 0,4% na área, caracterizando um ano de menores índices de produtividade. A soja mantém a posição de liderança, com 58,1 milhões de toneladas ante as 57,6 milhões de toneladas estimadas em março. “O Rio Grande do Sul aumentou em quase 500 mil toneladas a oferta em relação à estimativa do mês anterior”, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Edílson Guimarães.

A estimativa mais recente conseguiu captar informações de um plantio já consolidado, menos suscetível às intempéries. No caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, parcela de quase 10% da soja já foi colhida. De qualquer forma, a nova estimativa representa uma queda de 3,1% em relação ao total de 60 milhões de toneladas de soja colhidas na safra passada.

A nova projeção para a produção de milho indica colheita de 51,9 milhões de toneladas, ou seja, 1,5 milhão de toneladas a mais do que era previsto na estimativa anterior. Ainda assim, a produção de milho é 11,5% menor que a oferta de 58,6 milhões de toneladas da safra passada. O cenário atual é considerado positivo para a comercialização, pois o estoque é de apenas três milhões de toneladas e garante boas condições de comercialização, destaca o diretor de Logística e Gestão Empresarial da Conab, Sílvio Porto.

Há um ajuste entre oferta e demanda destacado pelo governo. O consumo interno é estimado em 47 milhões de toneladas e as exportações deverão atingir oito milhões de toneladas em 2008, absorvendo a produção. Desde o início do ano, o Brasil já exportou 2,5 milhões de toneladas de milho, principalmente à União Europeia, que prefere o milho não-transgênico, característico da produção brasileira.

O consultor da Safras&Mercado, Paulo Molinari, avalia que a estimativa atual acerca do milho que já começou a ser colhido “está mais próxima a realidade. O levantamento anterior subestimava a safra de verão do cereal e simplesmente reproduzia uma previsão antiga e que não condizia com a realidade da safrinha”, analisa Molinari. Ainda assim, para ele, uma tonelada a mais no mercado interno “faz pouca diferença” na formação de preços. “O setor segue na expectativa do clima na safrinha e do comportamento das vendas externas”.

Em relação ao trigo, entretanto, há dificuldades a serem resolvidas. A produção nacional é estimada em 6 milhões de toneladas, quantidade insuficiente para atender o consumo interno, previsto em 10,8 milhões de toneladas. O problema é que a Argentina, tradicional fornecedor, teve quebra de safra. O Canadá é considerado potencial fornecedor, embora com preços mais altos. Também haverá compras de trigo do Paraguai, entre 300 mil e 500 mil toneladas. O trigo russo está descartado, informam fontes do governo, por ser considerado de baixa qualidade.

A nova estimativa confirma ainda retração na oferta de algodão em mais de 22% na comparação com o ano passado. Para o algodão em pluma, há uma produção estimada em 1,2 milhão de toneladas e um consumo de 1 milhão de toneladas, ou seja, vai sobrar produto. A nova estimativa considera que a oferta de arroz será de 12,6 mil toneladas, ou seja, crescimento de 5,1% na comparação com o total de 12 milhões de toneladas do ano passado. Como o consumo interno é previsto em quase 13 milhões de toneladas, a estratégia será importar dos vizinhos do Mercosul para suprir a escassez, o que não deve afetar preços finais, garante Porto.

A produção de feijão deve crescer 8,2% na comparação com o ano passado, atingindo 3,8 milhões de toneladas, estimativa praticamente ajustada ao consumo interno de 3,7 milhões de toneladas. O presidente da Conab, Wagner Rossi, diz que não há risco de pressões nos preços finais dos grãos, especialmente no caso do arroz e do feijão. “Este é um ano de regularidade, no qual nem os produtores e nem os consumidores estão sendo penalizados pelos preços praticados”, disse Rossi. (Ayr Aliski e Gilmara Botelho – Gazeta Mercantil)

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