A eleição do pato – por Nuno Figueiredo

Se você precisar operar o coração e houver dois excelentes profissionais disponíveis, sendo o primeiro um clínico geral e o segundo um cardiologista, qual deles você seleciona para ser o teu cirurgião? A torcida do Flamengo e eu ficamos com o cardiologista. Por quê?

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Se você precisar operar o coração e houver dois excelentes profissionais disponíveis, sendo o primeiro um clínico geral e o segundo um cardiologista, qual deles você seleciona para ser o teu cirurgião? A torcida do Flamengo e eu ficamos com o cardiologista. Por quê?

A resposta está na fábula do pato.

Após uma disputada eleição no reino animal, o Leão anuncia para toda a floresta quem foi eleito como sendo o animal mais completo: o pato. Ele justifica que o pato é formidável, porque o pato voa, nada e anda. Ao sair o anúncio, ocorre uma grande revolta encabeçada pela águia, que reclama:

– O pato voa muito mal. Não alcança grandes altitudes e não é veloz. A águia não aceita ser considerada pior que o pato no seu elemento natural.

O golfinho concorda e comenta:

– O pato na água é lerdo e desengonçado.

E o Leopardo emenda:

– O pato na terra só ganha da tartaruga.

Após longa discussão, chegam à conclusão de que não existe um animal mais completo. Existe a excelência em cada ambiente e o que parecia ser o melhor, na verdade é medíocre. Esta é a moral da história: o pato é medíocre. Faz tudo, mas não faz nada bem feito. Atende a todos os requisitos de forma supérflua e limitada.

Sem qualquer dúvida, a participação do clinico geral na avaliação e triagem iniciais é fundamental. E ainda, onde não há a opção de uma rede de especialistas, ele é o melhor profissional para se ter a mão.

Esse dilema de escolher entre um conjunto de produtos e soluções ou a tentação de adquirir um faz tudo ocorre em vários segmentos. Por exemplo, existe o multiprocessador na cozinha. Ele espreme, centrifuga, bate e acontece. O meu está no armário desde que o ganhei, há mais de 10 anos. Prefiro usar a batedeira, o espremedor, o mixer e o liquidificador. Cada qual para a sua função específica.

Isto ocorre também com sistemas. Ao selecionar um sistema que faça tudo, a empresa contrata um sistema abrangente, que atende em várias áreas e que não atende nada com muita profundidade. À primeira vista, parece ótimo ter um único provedor, mas, na prática, se contrata o pato.

Na vida real o canivete suíço não resolve. Se precisar operar o cérebro, eu fico com o neurologista. Ele será hábil ao usar a ferramenta, terá a ferramenta adequada disponível e fará o melhor serviço. Consequentemente, ampliará as chances de alcançar o melhor resultado.

Como diz o velho ditado: “Quem só tem um martelo, trata tudo na vida como sendo um prego”.

Nuno Figueiredo
Diretor comercial da Signa Consultoria e Sistemas

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