Viracopos será maior terminal sul-americano

A estimativa da Infraero é de que esse complexo aeroportuário passe a atender cerca de 51 milhões de passageiros e um total de 570 mil operações de pousos e decolagens por ano

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A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) prepara um projeto que irá transformar o aeroporto de Viracopos, em Campinas, no maior da América do Sul. O plano prevê que todo o complexo fique pronto em 20 anos. A estimativa da Infraero é de que esse complexo aeroportuário passe a atender cerca de 51 milhões de passageiros e um total de 570 mil operações de pousos e decolagens por ano. Além disso, os terminais de logística terão capacidade de processar até 720 mil toneladas de carga aérea a cada 12 meses.

Em 2008, dos 34 milhões de passageiros que passaram pelos três principais aeroportos do estado de São Paulo, Viracopos foi responsável por apenas 1,08 milhão. Segundo o ministério da Defesa, para 2015, a demanda de passageiros estimada para os três aeroportos – Congonhas, Guarulhos e Viracopos – é de 63 milhões e, para 2025, de 115 milhões, sendo que cerca de 50% serão de passageiros do aeroporto de Campinas.

Para a viabilização do projeto, os recursos serão tirados da própria Infraero e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê em seu balanço obras neste aeroporto. O investimento previsto é de R$ 6,4 bilhões, em vinte anos. A previsão da Infraero é que toda a primeira etapa de ampliação do aeroporto seja concluída em maio de 2015 e que sejam gastos com isso R$ 2,5 bilhões. O Plano Diretor de Viracopos foi revisado recentemente e a primeira etapa de ampliação começará a ser realizada ainda este ano.

As obras de expansão do aeroporto dependem ainda da aprovação do Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para que a Infraero possa obter as licenças prévia e ambiental e assim serem feitas as licitações para que as obras comecem. Porém, esse estudo apontou 37 impactos ambientais, sendo que 35 (95%) poderão ser compensados ou potencializados por meio de medidas de controle ou programas ambientais, conforme o estudo. A Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental, empresa responsável pela elaboração do documento, revelou que a estatal terá que desembolsar R$ 32,4 milhões para compensações, isso representa 0,5% dos investimentos previstos para ampliação do aeroporto até 2015.

Se os licenciamentos forem concedidos ainda este ano, a Infraero irá começar a trabalhar na primeira fase de expansão do aeroporto. As principais obras serão as de ampliação da segunda pista de pouso e decolagens, que segundo a Infraero, deve ser concluída em abril de 2013 e o investimento total dela será de R$ 314 milhões. Esta prevista a construção do primeiro módulo de um novo terminal de passageiros, que deverá ter cerca de 30 mil metros quadrados e capacidade para atender até dois milhões de passageiros por ano.

Além dessas obras, está previsto o alargamento da pista de táxi para alternativa de operação de pouso e decolagem, que deverá ser concluída em dezembro de 2010. Também deverá ser feita até 2012 a reforma geral, recapeamento, ampliação do pátio do Terminal de Cargas e construção do novo pátio de Aviação Geral. Todas essas obras terão orçamento total de R$ 80 milhões.

Para a realização dessas obras e principalmente da segunda pista de pousos e decolagens, a Infraero terá que desapropriar 88 propriedades rurais, 3.172 lotes urbanos e 141 famílias que estão em volta do aeroporto. Segundo a estatal, o valor previsto para as desapropriações da área que deverá ser liberada para a construção da segunda pista é de R$ 161 milhões.

Apesar da distância de 100 quilômetros entre o aeroporto e a capital paulista, a ideia da Infraero é que Viracopos se torne o principal aeroporto do Estado de São Paulo e conseqüentemente, do País. Para que o acesso seja facilitado, o projeto de construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) prevê em sua rota a cidade de Campinas. O trem-bala, como é popularmente chamado, ligará as cidades de São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. O projeto de expansão de Viracopos também prevê a construção de uma estação ferroviária.

Para o pesquisador e professor em aviação civil da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Elton Fernandes, é fundamental a integração entre aeroporto e o transporte urbano, principalmente no caso de Viracopos que é afastado da capital paulista. “O aeroporto de Campinas é o natural para ser expandido, pois tem uma área preservada boa. A questão é acessibilidade que tem que ser melhorada. Essa ideia pra Viracopos é interessante, mas precisa de uma integração com outros meios de transporte, como os trens”, afirmou o professor.

Privatização

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES) preparam um estudo com as regras e o modelo de concessão para os aeroportos de Viracopos (Campinas), Galeão (Rio de Janeiro) e o terceiro aeroporto do estado de São Paulo (ainda em estudo pelo governo federal). Segundo o ministério da Defesa, a previsão é que os estudos sejam concluídos em junho deste ano. Após a apresentação deles ao ministério da Defesa, haverá a análise e a decisão do presidente da República sobre o assunto.

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