Vendas de máquinas caem 25%

As vendas de colheitadeiras acompanharam essa tendência de baixa e registraram retração de 27% no primeiro mês de 2009, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

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As vendas de máquinas e implementos agrícolas despencaram mais 25% no primeiro mês do ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. E, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (Abimaq), em fevereiro o tamanho do rombo no setor deve ser o mesmo. “Se repetir esse comportamento também em março a situação começa a ficar preocupante”, avalia Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq.

De acordo com Aubert, apenas uma das 30 câmaras setoriais que compõem a Abimaq registrou crescimento nos dois primeiros meses do ano. “Somente o setor de válvulas industriais negociou volume superior ao do ano passado”, revela. Em 2008, o setor de máquinas e implementos agrícolas faturou R$ 8,34 milhões, valor 42,5% maior em relação a 2007.

As vendas de colheitadeiras acompanharam essa tendência de baixa e registraram retração de 27% no primeiro mês de 2009, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Essa foi a pior e única queda amargada pelo segmento nos últimos 30 meses. Segundo Rego, a recuperação inaugurada em 2006 pelo setor foi freada no final do ano passado. “E em fevereiro a expectativa é que a situação fique ainda pior”. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas, Luiz Aubert Neto, lembra que no fim de 2008 as vendas de colheitadeira ficaram 50% menor.

Apenas os veículos agrícolas de pequeno porte comemoram crescimento no referente mês, sustentando as vendas de tratores em um patamar 17% maior que o volume de negociação do mesmo período do ano passado. “Em termos de unidade estamos vendendo mais, mas a potência que chega ao campo é infinitamente menor”, calcula Milton Rego, vice-presidente da Anfavea.

A alta nas vendas de tratores de até 100 cv de potência no começo de 2009 foi impulsionada por programas governamentais como o “Mais Alimento”, do governo federal e o “Pró Trator” do governo paulista que garantem que a dívida do produtor se prolongue por um período maior com uma taxa de juros menor.

Solo fértil

Menos máquinas agrícolas carregam até o campo uma quantidade maior de fertilizantes. De acordo com levantamento consolidado da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em janeiro as indústrias entregaram 1,343 mil toneladas de adubos, volume 37% maior que o negociado em dezembro mas ainda 27,7% menor que o do mesmo período do ano passado.

Eduardo Daher pondera que o mercado não vai voltar a se comportar como na safra 2007/08, mas argumenta que o setor já sinaliza uma melhora pontual. “Continuamos o quarto maior mercado do mundo”. Segundo ele, as carteiras de pedidos indicam uma entrega de 1,3 milhão de toneladas de fertilizantes em fevereiro. Em 2008, uma antecipação por parte dos agricultores culminou em uma entrega de 1,852 milhão de toneladas no mês de fevereiro.

A recuperação do mercado de adubos em relação aos três últimos e retraídos meses do ano passado acompanha, não na mesma proporção, uma queda nos preços de 15% dos fertilizantes vendidos no mercado interno.

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