Usando o Google Maps no TRC

Sem dúvida o maior desafio dos profissionais de T.I. que insistem em atuar no segmento de Transportes é converter as milhares tecnologias existentes em aplicações reais e rentáveis para o setor. Aqui, rentável pode não significar necessariamente gerar negócios ou lucro direto, mas pode ser uma forma de apontar falhas, desperdícios, ineficiências, oportunidades de melhorias, etc

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Sem dúvida o maior desafio dos profissionais de T.I. que insistem em atuar no segmento de Transportes é converter as milhares tecnologias existentes em aplicações reais e rentáveis para o setor. Aqui, rentável pode não significar necessariamente gerar negócios ou lucro direto, mas pode ser uma forma de apontar falhas, desperdícios, ineficiências, oportunidades de melhorias, etc.

Vale registrar que antes de iniciar a saga contada abaixo, tentei resolver a questão com os fornecedores de rastreamento de veículos. Pois, entendia eu, que tudo que precisávamos nesta área já era usado pelo setor de Rastreamento, então bastava tratar as informações com uma visão logística e fazer com que o restante da empresa também tivesse acesso aos mapas e recursos até então exclusivos da célula Rastreamento.

Todos fornecedores me ouviram, entenderam meu projeto e disseram não. Segundo os representantes destas importantes empresas, o acesso aos mapas pela nossa rede não era possível sem a instalação de mais cópias de seus softwares, o que automaticamente geraria mais investimentos (na visão deles e custos, na nossa). Um deles chegou a oferecer (venda mesmo) seus mapas digitalizados para que eu pudesse trabalhar com eles da forma como quisesse, mas nada de abrir seus softwares para integrar com nada. Quando disse que considerava aquelas informações como propriedade da nossa empresa, pois nós somos os usuários e trata-se de nossos veículos, quase levei um nocaute (ou knockout ou nocaute ou K.O.) de um amigo, mas fornecedor.

Incrédulo com que ouvia a cada reunião e cada vez mais revoltado por ter que criar algo que já existia, decidi que teríamos nossas próprias soluções, usando apenas as coordenadas de posições dos veículos fornecidas pelos rastreadores. Isso foi fácil conseguir, pois os fornecedores não acreditavam que poderíamos fazer muitas coisas com as latitudes e longitudes dos veículos. Ainda mais com cada um usando um padrão e/ou formato diferente, ou melhor, próprio, justamente para dificultar o acesso a informação. Para resumir, os fornecedores de rastreamento não ajudaram muito nas conquistas que se seguem.

Desde a reunião em que decidi por alternativas, tenho me dedicado ao estudo e aplicação prática dos recursos que o Google Maps disponibiliza. O desafio era fazer uma integração quádrupla: TMS com Rastreadores com Google Maps, rodando em ambiente Web (para que todos usuários tenham acesso). Vale lembrar que já deixei de escovar bit há muito tempo, portanto não sou mais tão técnico quanto antes, mas a vontade era tanta que me debrucei sobre os códigos e fui em busca de resultados.

Sobre o TMS (Sistema Gestor de Transportes) tenho pleno domínio e dele extraímos as informações de origem, destino, tipo de veículo, motorista, itinerário, previsão de chegada, etc. Dos rastreadores extraí a localização dos veículos e as macros (inicio de viagem, fim de viagem, paradas, etc.) que informa os eventos ocorridos durante a viagem. Do Google Maps temos a visualização dos veículos nos mapas, com marcações de referências, cálculos de tempo e distância para chegada, rotas percorridas e a percorrer, zoom com o local exato do veículo e vários outros recursos.

Em geral o trabalho não foi difícil, tanto é que após 2 semanas de estudos, publiquei um artigo técnico com foco acadêmico sobre o tema (caso tenha interesse, basta solicitar por neto@transportabrasil.com.br) e tive uma boa resposta da crítica. Contudo, integrar 4 tecnologias (TMS, rastreadores, internet e Google Maps) requer dedicação e perseverança nos objetivos, pois as possibilidades são muitas e é fácil se perder em meio a tanta informação.

Estou resistindo para não entrar em detalhes técnicos, portanto, vou falar de alguns dos objetivos alcançados. Hoje, o sistema TMS (base de todo o projeto) gera a cada 3 minutos mapas que dão informações fundamentais para uma boa gestão das frotas, tais como:

  • Mapas do Brasil e de cada Estado, mostrando uma visão geral de todos os veículos
  • Mapas por Filiais, mostrando os veículos que se encontram em cada filial
  • Busca individual de Frotas, apresentando a localidade de veículos específicos
  • Previsão de tempo de chegada a partir do ponto atual até o destino (calculado a cada 3 minutos)
  • Rota mais curta do ponto atual até o destino (calculado a cada 3 minutos)
  • Rota já trafegada, mostrando por onde o veículo já passou
  • Últimas posições e ocorrências, mostrando todos os eventos já registrados (posições, ocorrências, documentos emitidos, macros, etc.)
  • Zoom com imagem de satélite, mapa, terreno ou híbrido, que dá uma “foto” do local onde se encontra o veículo
  • Visualização no mapa das Filiais e Principais Clientes, mostrando a distância de cada veículo que se encontra na região
  • Pontos de Referência para facilitar a localização de cada veículo
  • Informações sobre a carga, motorista, veículo e documentos com um clique sobre o ícone do veículo
  • Análise por tipo de veículo, permitindo saber a localização de veículos de um determinado tipo
  • Veículos Parados, mostrando os veículos que estão sem movimentação há algum tempo
  • Veículos em Manutenção, registrando cada manutenção e o tempo que permaneceu parado por este motivo
  • Localização dos Veículos de Apoio
  • Acompanhamento dos Veículos Desagregados
  • Registro de Ocorrências de Viagem
  • Acompanhamento de Possíveis Atrasos
  • Roteirizador Ponto a Ponto
  • Postos de Gasolina (de várias bandeiras) na rota dos veículos (com telefone e valor do combustível)
  • Postos das Polícias Rodoviárias Federal e Estadual de todo o Brasil (com telefone e contatos)
  • Pontos de Pedágio e Radares das principais rodovias (com valores das tarifas e limite de velocidade)
  • Balanças e Postos de Fronteiras (com telefone e horários de atendimento)

Todas estas informações ficam disponíveis num único mapa que é totalmente gerenciado pelo usuário, ou seja, dependendo de sua necessidade, ele inclui ou retira marcadores com cliques simples e rápidos. A imagem abaixo, mostra alguns destes recursos:

googlemapstrc

Com o recurso de zoom posso ver outras informações:

maps2

Com informações destinadas a um monitoramento logístico dos veículos podemos fazer com que o acompanhamento e o planejamento da frota fique independente da área de gerenciamento de riscos, que deve e tem outro foco.

No exato momento em que eu escrevia este artigo, um dos fornecedores me ligou e disse que estava pronto para atender uma antiga reivindicação: envio e recebimento de mensagens a partir dos mapas da nossa aplicação, sem necessidade de passar pela central de rastreamento. Se eles realmente abrirem esta porta, teremos novos avanços interessantes que poderei contar numa próxima oportunidade.

Sou ciente de que muitas empresas já possuem soluções parecidas e até melhores que esta, mas também existem muitas empresas integradoras que apresentam sistemas com estes objetivos, a um custo considerável e não totalmente adaptável ao legado. Na verdade, na maioria dos casos, eles esperam que você (o cliente) se adapte aos padrões deles. Então, antes de simplesmente ir ao mercado em busca de soluções, vale a pena dar uma olhadinha no que o Google Maps pode oferecer.

Os itens que apresentei aqui são apenas uma amostra do que implantamos recentemente. Outros desafios e novas integrações estão sendo estudadas e em breve serão implantadas, trazendo novos benefícios, facilitando o dia a dia dos usuários e principalmente, dando flexibilidade à empresa, já que a informação sobre os veículos agora está em qualquer lugar a qualquer horário.

Abraços e até a próxima!

Anírio Neto é gerente de TI do Rápido 900
neto@transportabrasil.com.br

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