Recursos para o próximo Plano Safra devem ser 20% maiores

O Plano Safra 2009/2010, que deverá ser apresentado em maio, terá um acréscimo de 20% a 25% em relação ao valor disponibilizado na safra anterior, evoluindo de R$ 78 bilhões para cerca de R$ 95 bilhões

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Com a atual crise de crédito, um dos principais objetivos do governo federal é diminuir a dependência dos produtores de financiamento das tradings. Para isso, o Plano Safra 2009/2010, que deverá ser apresentado em maio, terá um acréscimo de 20% a 25% em relação ao valor disponibilizado na safra anterior, evoluindo de R$ 78 bilhões para cerca de R$ 95 bilhões. Ainda que seja inferior ao valor pedido pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), entidade representativa dos produtores, o novo aporte, que vai ao encontro da redução dos custos de produção da safra, deve reduzir os prejuízos no campo e diversificar as fontes de crédito.

De acordo com Luís Carlos Guedes Pinto, vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, apesar da taxa de juros do crédito rural ser de 6,75% ao ano, os produtores do Sul e Centro-Oeste arcam com um percentual muito maior, uma vez que a taxa de juros das tradings nessas regiões está estimada em 15% e 22%, respectivamente.

“O governo deve criar políticas que tornem mais atraente a participação do sistema financeiro no financiamento agrícola”, disse Guedes Pinto. “Se houver queda dos depósitos a vista, virão recursos de outras fontes. Esse é um compromisso do governo”, completou. Uma das compensações para a retração dos depósitos seria o crescimento da caderneta de poupança rural, fundos constitucionais ou ainda linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O ex-ministro afirmou ainda que a projeção do BB para a nova safra, com início em julho, está em linha com a estimativa apontada pelo Ministério da Agricultura, que também prevê um acréscimo da ordem de 25% no volume de recursos disponíveis aos agricultores. “Com esse aumento, o BB deve disponibilizar algo em torno de R$ 45 bilhões”, disse. No último período, o BB liberou de R$ 23 a R$ 25 bilhões aos agricultores. Hoje o volume disponível ultrapassa R$ 35 bilhões.

Guedes Pinto destacou que a instituição financeira já disponibilizou, há cerca de 10 dias, os recursos para o custeio da safra 2009/2010. No entanto, a demanda ainda é tímida. Segundo o executivo do BB, de 2003 para 2008, as provisões da instituição financeira aumentaram de R$ 493 milhões para R$ 4,48 bilhões. Isso porque, a partir de 2005, com as renegociações da dívida rural, aumentou o risco das operações. No mesmo período, o percentual da carteira de agronegócio cresceu de 1,8% para 7,5% e a dívida do produtor de R$ 26,8 bilhões para R$ 63,7 bilhões.

A crise, que já apresenta um forte impacto na agroindústria, parece chegar mais branda ao setor produtivo. De acordo com Luiz Lourenço, presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, esse cenário ocorre porque com a crise dos grãos – observada nas safras 2004/2005 e 2005/2006 – o produtor foi mais comedido em termos de investimentos nos últimos anos e, por isso, hoje estaria mais capitalizado.

Mesmo demonstrando otimismo, Lourenço ressaltou a queda de 15% na produtividade dos grãos no Paraná, além de uma maior lentidão na comercialização. Entre as culturas que mais apresentam dificuldades ele destacou o trigo, que na véspera de um novo plantio ainda lota os armazéns dos produtores paranaenses. “O trigo na região da Cocamar está desaparecendo porque os produtores estão migrando para outras culturas”, afirmou. Segundo Lourenço, na próxima safra a cooperativa espera receber cerca de 8 mil toneladas do cereal. Há cerca de quatro anos a Cocamar chegou a receber 60 mil toneladas.

O presidente da cooperativa alertou ainda para a necessidade da exportação para balizar os preços do milho. No complexo carnes ele avalia que as atividades de avicultura e suinocultura estariam inviabilizadas na região, assim como a pecuária, onde sobram animais prontos para o abate e cujo fechamento dos frigoríficos tem levado a transferência dos abates para São Paulo.

Com o objetivo de minimizar os custos de escoamento da safra 2008/2009, que ainda penaliza os produtores, o deputado federal Homero Pereira (PR-MT) está liderando um movimento pela formação de uma Frente Parlamentar de Logística e Armazenamento no Congresso Nacional para garantir um subsídio ao frete.

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