Grupo Maggi reclama da infraestrutura de transporte no Brasil

O maior grupo produtor e exportador de soja do Brasil reclama da falta de infraestrutura de transporte no País e compara o panorama em território nacional com a situação dos demais países latino-americanos

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A produção do Grupo, informa Bongiolo, é escoada em operações multimodais, com os carregamentos feitos por rodovias, ferrovias e hidrovias com destino a portos ou terminais de transbordo. “Se forem levadas em conta as variáveis como volumes, produtos e distâncias, fica evidente que a principal dificuldade logística é o escoamento da carga e acesso aos portos. Como há um custo operacional alto das empresas de transporte, a pequena margem de lucro dessa atividade e a baixa qualidade dos serviços ofertados geram o que chamamos de Custo Brasil”.

Bongiolo vai mais longe. Traçando comparativo com outros países da América Latina, o presidente do Grupo Maggi critica: “embora tenha o maior PIB (Produto Interno Bruto), a maior extensão territorial, a maior população e a maior frota de veículos, nosso país ocupa o 10º lugar em rodovias. Mesmo com a maior extensão de rodovias, equivalente a 1,6 milhão de quilômetros, apenas 12% desse total são pavimentados, correspondendo a aproximadamente 196 mil quilômetros”. O que é insuficiente, segundo ele, para atender às necessidades do Brasil.

Quanto à infraestrutura hidroviária e ferroviária, o presidente do Grupo Maggi observa que, em números absolutos, o Brasil tem a primeira e a segunda maiores extensões, respectivamente, mas aparece em 10º lugar em hidrovias e em 12º lugar em ferrovias, entre 19 países da América Latina.

A logística para a distribuição do produto do Grupo não é pequena. As safras, em ascensão ano a ano, demandam infraestrutura moderna. Na safra passada (2007/2008), foram 110.851,5 hectares de área plantada com soja, o que rendeu uma produção de 374.735 mil toneladas. Já na safra atual (2008/2009), a soja foi plantada em 138.965 hectares, e a expectativa é de que gere uma produção de cerca de 460 mil toneladas de grãos.

Além da soja, o Grupo deve colher 286 mil toneladas de milho safrinha, 15 mil toneladas de algodão em pluma e 22 mil toneladas de caroço de algodão.

TGG

O Grupo Maggi escoa seus produtos pelo Terminal de Granéis do Guarujá (TGG), na margem esquerda do Porto de Santos, pelos portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Itacoatiara (AM). Este, por intermédio do Corredor Noroeste de Exportação, por onde é escoada a produção de grãos das regiões noroeste de Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Para Edson Gentile, gerente de Logística da Maggi, “a utilização destes portos envolve questões comerciais e estratégicas, atendendo às origens comuns dos produtos que exportamos”.

O Grupo André Maggi opera em todas as frentes logísticas e verifica, de perto, os gargalos de infraestrutura para escoar suas cargas aos portos. Segundo Bongiolo, mesmo que as estradas continuem sendo o principal meio para o transporte de cargas no País, “é certo que o transporte ferroviário e aquaviário apresentam custos mais competitivos do que por meio de rodovias, o que deverá fazer com que essas modais ganhem mais participação de mercado nos próximos anos”.

Pensando no futuro, o Grupo, além dos acordos operacionais que mantém com a América Latina Logística (ALL) para os trechos ferroviários – um dos marcos na redução de distâncias e custo de transporte – criou a Hermasa, que gerencia a navegação pelo Corredor Noroeste de Exportação. “Estamos transportando as commodities pela BR-364 até Porto Velho (RO), seguindo de lá até o Porto de Itacoatiara (AM), por meio de comboios graneleiros, pela Hidrovia do Madeira”.

Bongiolo festeja que nesses 11 anos de operação, houve uma revolução na economia dos locais atingidos pelo Corredor, desenvolvendo os municípios e atraindo produtores, empresários, técnicos e trabalhadores para a região, além de estimular o comércio e gerar emprego e renda.

Em vez dos quase 3.000 km até os portos de Santos e Paranaguá, que antes a soja tinha de rodar, “agora usamos o transporte rodoviário por até 900 km e depois 1.100 km de navegação fluvial para atingir o Porto de Itacoatiara”, salienta o presidente.

Segundo Bongiolo, existem outros projetos em andamento, “estrategicamente localizados”, que serão muito importantes na otimização dos fluxos de carga. “O Grupo André Maggi não vai medir esforços para buscar alternativas competitivas em logística e transporte”.

A expectativa do Grupo é de que o Governo Federal dê continuidade ao investimento na infraestrutura logística, executando os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Dentre as prioridades, está o asfaltamento de rodovias ainda sem pavimentação e a construção de novas rodovias em corredores estratégicos para o transporte das riquezas do País”. Bongiolo fala, ainda, da necessidade de promover a eficiência do transporte, com a utilização de cadeias intermodais, o que também “contribuirá muito para o setor, já que o Brasil tem enorme potencial natural para o transporte fluvial, que é pouco explorado”.

Outra obra importante, destacada pelo presidente do Grupo Maggi, é a conclusão da obra da eclusa de Tucuruí (PA), que permitirá a navegação entre o norte e o sul, pela hidrovia Tocantins-Araguaia. “A cabotagem, também, merece mais atenção, pois o Brasil conta com quase oito mil quilômetros de costa marítima, pouco explorada”.

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