Continental dribla a crise com a venda maior

Com três anos de operação no Brasil - a nova fábrica foi inaugurada em 2006 -, a Continental Pneus se encontra numa posição mais confortável em comparação às demais fabricantes de pneus, que estão no País há mais de 50 anos

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Na contramão do setor de pneumáticos, que ainda tem elevado o volume de estoques, a Continental Pneus está conseguindo driblar a crise mundial com o aumento das suas vendas no mercado de reposição do Brasil (onde tem 7% de participação) e exterior. “Apesar da retração global, o setor de reposição continua aquecido”, disse à Gazeta Mercantil Renato Sarzano, diretor-superintendente, responsável pelas operações comerciais de pneus da Continental na América Latina.

Com três anos de operação no Brasil – a nova fábrica foi inaugurada em 2006 -, a Continental Pneus se encontra numa posição mais confortável em comparação às demais fabricantes de pneus, que estão no País há mais de 50 anos e tem que administrar grande volume de produção.

“A empresa está numa fase diferente de toda indústria e, como acabou de chegar ao Brasil, tem mais flexibilidade para se adaptar às mudanças do mercado. Por isso, conseguiu controlar os estoques com as férias coletivas sem demitir os funcionários”, disse Sarzano.

A fábrica de Camaçari (BA), uma das mais modernas do grupo Continental no mundo, emprega atualmente 1.400 funcionários. Essa unidade foi construída com investimentos de US$ 260 milhões e com plano de destinar 90% da produção de pneus de automóveis e de caminhões para o exterior. “Mas essa estratégia mudou completamente, pois não esperávamos uma grande queda do dólar e passamos a concentrar o foco no mercado brasileiro, principalmente no setor de reposição que tem grande potencial”, comentou o diretor da empresa.

Segundo Sarzano, “se de um lado o dólar em queda não estava favorável para exportar, agora que está valorizado também não estimula as empresas porque no exterior não tem cliente para comprar”.

Aumento da produção

No ano passado a Continental produziu 4,5 milhões de pneus de automóveis e 300 mil unidades de pneus para caminhões, o que representou um crescimento de 32% sobre 2007. Para 2009, com dois turnos de trabalho, a estimativa de Sarzano é que a produção tenha um crescimento entre 10% a 15%. “Além da base de clientes, estamos aumentando também a nossa oferta de produtos”, disse.

Segundo Sarzano, os pneus que a Continental vende no Brasil tem o mesmo conteúdo tecnológico dos modelos que são comercializados na Alemanha. “Estamos tendo boa aceitação no mercado brasileiro e vários segmentos que não nos conheciam estão aceitando os nossos produtos. Já temos, por exemplo, pedidos para equipar frota de ônibus e caminhões que trabalham em regime que exige grande esforço, como o transporte de cana-de-açúcar”.

Além desses negócios, a Continental também está aumentando sua participação nas montadoras. Com os pneus de carga, a empresa está presente em todas as fabricantes de caminhões, exceto a Volvo. Já com os pneus de automóveis abastece as linhas de montagem da Renault (100% no modelo Sandero Stepway), Ford e, no final do ano passado fechou contrato com a General Motors do Brasil.

Ao mercado externo a empresa envia seus pneus para os Estados Unidos, México, Argentina, Chile, Equador e América Central. “Para o México, Estados Unidos, Canadá e Argentina as exportações são intercompany”, afirma Sarzano.

A estimativa de Sarzano é que o mercado brasileiro retome o crescimento neste ano, após as medidas adotadas pelo governo, como a redução do IPI, das taxas de juros e outros incentivos. “Já a indústria de caminhões terá recuperação mais lenta porque o incentivo concedido ao setor não foi igual ao do mercado de automóveis.”.

Ao fazer comparativo com os demais mercados onde a Continental está presente, Sarzano falou que o Brasil tem grande importância nas estratégias da matriz da Alemanha, “pois deixou de ser um mercado de alto risco e tem uma economia mais sólida”, diz para acrescentar. “Um dos pontos que fez o Brasil ganhar a concorrência da nova fábrica – além do Chile e Argentina – foi o potencial do mercado, com capacidade para mais de 40 milhões de pneus por ano”, destacou. Sobre os planos para o Brasil, o executivo falou que somente estão suspensos a ampliação de capacidade. Já os investimentos em novos produtos estão mantidos. “A Continental continua investindo pesadamente em novas tecnologias para fabricar pneus que reduzam o consumo de combustível.. Isso é estratégico para companhia.”

O grupo Continental, que emprega 150 mil funcionários no mundo e fatura € 25 bilhões/ano, mantém sete fábricas no Brasil.

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