Vendas de implementos caem com crédito e juros

A indústria fabricante de implementos rodoviários de carga é uma delas, que viu seus pedidos cancelados do ano passado para cá

Projeto da marginal é suspenso de novo por indícios de ilegalidade
Serra entrega primeiro trem do Metrô
Embraer crê em demanda global de 13 mil aviões executivos em 10 anos

Com a intensificação da crise financeira mundial inúmeros segmentos da economia foram afetados. A indústria fabricante de implementos rodoviários de carga é uma delas, que viu seus pedidos cancelados do ano passado para cá. A afirmação é de Rafael Wolf Campos, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR).

No primeiro mês deste ano, as vendas – incluindo reboques, semirreboques, bitrens e rodotrens, carroceria sobre chassis e 3º eixos – recuaram 26,7%, na comparação com dezembro de 2008.

Um dos motivos do desempenho é a escassez de crédito e a taxa de juros. “Estas são nossas duas grandes dificuldades, mas mesmo assim estamos percebendo uma retomada nas consultas de orçamentos, fato que ainda não refletiu nas vendas, mas pode vir a acontecer nos próximos meses”, acrescenta Campos.

Além disso, o setor aguarda a aprovação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 5% para zero. “A medida iria ajudar a minimizar a queda nos emplacamentos, porém só esta medida não soluciona nossos problemas, são necessárias outras medidas do governo para melhor o desempenho do setor”, avalia o presidente.

A associação informou que o segmento de linha pesada (reboques e semirreboques) encerrou 2008 com 54.434 implementos emplacados, volume 35,38% maior, em relação ao mesmo período de 2007. No ramo de linha leve foram emplacados 75.715 implementos, com alta de 22,04% na mesma base de comparação. Na mesma direção, as exportações cresceram 2,45, somando 7.230 unidades vendidas para o mercado externo. Os principais mercados neste segmento são América Latina, América do Sul, África e Oriente Médio.

A expectativa para este ano é que os dados devem no mínimo atingir os mesmos números de 2007, que foi o segundo melhor do ano, com 103.069 mil unidades comercializadas. “Caso fique abaixo deste número, a situação vai se complicar um pouco, porque até então as empresas estão segurando para que não ocorra demissão”, diz Campos.

Atualmente, o setor responde por cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. “Para não demitir a maioria das fabricantes anunciou no final do ano passado férias coletivas e agora eles falam em redução da jornada de trabalho. Nosso segmento é muito promissor mas se as coisas não se ajustarem poderá haver um número maio de desempregados”, acredita Campos.

O faturamento em 2008 atingiu R$ 6 bilhões. “Se não tivesse ocorrido as turbulências no mercado externo, nossos números teriam sido melhores ainda”, finaliza Rafael Wolf Campo, avaliando que 2008 foi recorde para o segmento. No período foram produzidas 138.379 unidades, mostrando um incremento de 25,65%, em relação aos equipamentos registrados em 2007. Já as vendas cresceram 27% no último ano, somando 131.149 unidades.

COMMENTS