Tegma faz ajustes e diversifica para crescer

Com meta de faturar R$ 2 bilhões, empresa conquista cargas fora do setor automotivo

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Para consolidar sua posição de uma das maiores operadoras logísticas do País e chegar a 2011 com receita bruta R$ 2 bilhões de receita, conforme planejado, a Tegma Logística está fazendo a lição de casa. Alcançar a meta é tarefa ousada, mas não impossível. Afinal, a empresa obteve receita líquida de R$ 751,8 milhões de janeiro a setembro deste ano ante R$ 744,9 milhões ao longo de todos os 12 meses do ano passado.

Para continuar crescendo (apesar da crise), uma das tarefas é reduzir gradativamente a importância da cadeia automotiva no faturamento por meio da diversificação de cargas e operações.

Não é seguramente tarefa das mais fáceis. Com sede encravada em São Bernardo do Campo, ABC paulista, ao lado das maiores montadoras do País, a Tegma ainda extrai a maior parte de sua receita do negócio automotivo. É, por exemplo, a maior transportadora de carros zero km do País. Movimentou 289,3 mil veículos em julho, agosto e setembro deste ano, 15,5% acima do volume registrado nos mesmos meses do ano passado.

A empresa não esperou a crise chegar para diversificar. Muito antes de sua eclosão, vinha em transformação. O marco foi a abertura de capital que alavancou a compra de três empresas de transporte e logística – Boni GATX, CLI e CTV.

Carga dedicada

Nessa linha de colocar os ovos em várias cestas para crescer com diluição de riscos está o chamado Projeto Shell, como foi batizado. Trata-se de um contrato costurado desde o ano passado e já em fase de operação e que envolveu a compra de 115 conjuntos bitrens. “A tarefa é movimentar óleos lubrificantes e gasolina de aviação”, diz Gennaro Oddone, desde 2003 presidente da Tegma, onde entrou em 1999 como diretor de finanças.

Os contratos dedicados têm uma característica. Envolvem máxima produtividade — os veículos chegam a rodar 24 horas com até três motoristas. Além de combustíveis, na linha de diversificação estão também suco de laranja, papel e celulose e serviços logísticos. Fora do setor automotivo a receita líquida atingiu R$ 50,4 milhões, acréscimo de 50,5% sobre o terceiro trimestre de 2007.

Avanços em outras direções ajudam a aliviar o impacto da queda no setor automotivo “A curto prazo sabemos que a atividade terá uma vida muito difícil. Foi uma queda abrupta e os ajustes são inevitáveis à nova demanda”. Como parte dos ajustes, a Tegma cortou 330 empregados, 10% do quadro. “Estamos preparados para crescer na área automotiva e em outras cargas”, acentua.

“Novos contratos dedicados estão na nossa mira”, diz, para emendar. “O transporte ainda representa 80% do nosso faturamento, mas a logística ( 20%) tem tudo para crescer na medida em que na crise a tendência é terceirizar tal atividade”.

A Tegma, que abriu o capital em 2007, é soma de várias empresas. A origem foi há 40 anos, em 1969, como Sinimbu, no transporte de carros zero km.

A primeira grande mudança ocorreu em 1998 na fusão com a Allied Holding e o Grupo Coimex e a incorporação das transportadoras Schlatter e Transfer.

Outro passo foi em 2001 com a aquisição da Translor Veículos, divisão utbound da Ryder do Brasil. Em 2002, comprou a participação da Allied Holding, passando a adotar o nome Tegma.

O controle societário da Tegma é exercido pelo Grupo Itavema-Sinimbu — do segmento de revenda de automóveis e com atuação também nos ramos de locação de automóveis e indústria de embalagens) e pelo grupo Coimex, com atuação no comércio exterior, em operações portuárias, mercado imobiliário, concessão de rodovias, energia e consórcios. Os investidores em bolsa detêm cerca de um terço do capital social da companhia.

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