GM não renovará contrato de 1.630 trabalhadores do ABC

O presidente da GM no Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, disse que está estudando o caso, mas deu a entender que vai dispensar o pessoal

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A General Motors não renovará o contrato de 1.630 trabalhadores temporários de São Caetano do Sul (ABC), contratados em março do ano passado para o terceiro turno de produção. O presidente da GM no Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, disse que está estudando o caso, mas deu a entender que vai dispensar o pessoal. “Na nossa visão, o mercado em 2009 é de 2,4 a 2,5 milhões de unidades – mesmo tamanho de 2007. O terceiro turno foi contratado para um mercado de 3,2 milhões. Então, não comporta mais”, afirmou Ardila ontem em Indaiatuba, onde a GM comemorou o aniversário de 35 anos do seu campo de provas da Cruz Alta. A montadora inaugurou novas instalações no local, com um novo espaço para teste de carros e laboratórios, ao custo de US$ 100 milhões.

A demissão dos temporários fica claro também com um comentário do vice-presidente da General Motors no Brasil, José Carlos Pinheiro Neto. “Demos uma carta para eles na qual nos comprometemos a recontratá-los, caso o mercado melhore”, afirmou. “A carta também servirá como uma referência para eles no mercado”, disse. Ardila afirmou, ainda, “doer no coração” ter de demitir os temporários, “que são os bons trabalhadores”, mas têm de pensar no efetivo de 22 mil trabalhadores fixos.

A boa notícia é que os trabalhadores de Gravataí – onde a GM diz nunca ter cogitado demissões – não vão mais ficar em férias coletivas neste mês. A montadora mudou a programação em razão da reação das vendas em janeiro, mês que a GM vendeu 38 mil carros e fez 19,2% do mercado. A empresa também cancelou dois dias de folga que os metalúrgicos de São Caetano do Sul teriam em fevereiro – também para aproveitar a reação das vendas.

Para manter o mercado em ritmo de recuperação, Ardila afirmou que defende, junto ao governo federal, a redução dos juros – para uma taxa próxima de 1,4% ao mês -, programa de renovação de frotas e uma maior oferta de crédito. Ele afirmou que não é hora de a indústria pensar na renovação da redução do IPI previsto para vigorar até 31 de março. “Vamos concentrar nossos esforços no agora. O governo não vai conseguir manter o IPI reduzido para sempre”, disse.

Outra medida que Ardila defende é uma maior disponibilidade de crédito para a venda do carro usado, que continua impactando negativamente a venda dos novos.

Ardila afirmou que a redução do IPI foi muito importante para a retomada das vendas, que, em janeiro, chegaram a 197 mil unidades. Para ele, a GM poderia ter feito um mercado melhor, não fosse o fato de 3 mil unidades deixarem de ter sido emplacadas em janeiro por problemas de adequação. “Se formos analisar o dia a dia de vendas, em janeiro de 2009 houve crescimento, já que janeiro de 2008 registrou mais dias úteis de vendas”, disse.

Neste ritmo de trabalho, Ardila afirmou que a GM é lucrativa e consegue gerar todo o caixa necessário para tocar seus investimentos no Brasil sem precisar de recursos da matriz, socorrida pelo governo dos Estados Unidos. Além da fábrica de motores em Santa Catarina, estão garantidos recursos para a nova família de veículos, batizada de Viva, cujo lançamento está previsto para o segundo semestre. O novo carro começa a ser produzido em Rosário, Argentina, e depois passará a ser feito em São Caetano do Sul.

Para lançamento de produtos, Ardila afirmou que a empresa usou e continuará utilizando recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Temos interesse para renovação tecnológica, desenvolvimento de novos produtos e exportações”, afirmou.

Ardila afirmou que a chuva danificou as obras de terraplenagem feitas em Joinville (SC) para construção da fábrica de motores. Com isso, a empresa, que bancou prejuízo (não revelado), vai ter que adiar em seis meses a inauguração da fábrica, agora prevista só para o final de 2011. Como o mercado também diminuiu de tamanho, o atraso não causará problema para empresa.

Produção local

Ardila disse, também, que o real desvalorizado faz com que a companhia passe a avaliar a possibilidade de produzir localmente carros que antes seriam importados. Ele não quis revelar quais modelos, mas disse que o dólar valorizado protege o emprego no Brasil, que passa a ter mais condições de ampliar a produção local. Pelo menos três modelos estão sendo avaliados para produção no Mercosul, que, antes da desvalorização do real, não teriam chances de ser feitos aqui.

Ardila condenou o protecionismo diante da crise. Ele afirmou que é um erro a estratégia do “made USA” apoiado por pacotes econômicos do presidente Barack Obama. “Neste ponto estou com o presidente Lula. Isto pode causar uma onda protecionista e não é bom. É um erro dos Estados Unidos”, disse.

Ardila considera que haverá novas ondas de demissões e fusões de montadoras em razão do encolhimento do mercado mundial. De acordo com ele, a capacidade mundial atual é de 90 milhões de unidades por ano enquanto a demanda caiu para 60 milhões e não vai se recuperar nos próximos anos. “Fusões como da Fiat e Chrysler vão acontecer, pois traz racionalidade ao processo produtivo”, disse.

Ardila, porém, não quis dizer se a GM está num processo para atrair parceiros.

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