Fase difícil acabou para as autopeças

Pesadelo ficou para trás e setor, ainda que em menor escala, já retoma as atividades

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A indústria de autopeças já começa a retomar o nível de atividades por causa da normalização da produção automóveis. A brasileira Eletromecânica Dyna, que produz limpadores de para-brisas e a subsidiária brasileira do Grupo alemão Elring Klinger, que faz juntas de cabeçotes e defletores de calor, já têm sinalizações positivas das montadoras para os próximos meses, o que as fazem prever que as vendas no mercado interno cheguem neste ano ao patamar igual ao de 2007, quando foram emplacados 2,46 milhões de veículos no País.

“Ainda estamos com volume 20% abaixo do de 2008, mas a expectativa é positiva porque a fase difícil já passou e, com a redução do IPI e a liberação de linha de crédito para o financiamento de automóveis novos, o mercado retomou as vendas e já temos encomendas para a produção de 10 mil carros por dia”, disse Celso Liberal, diretor comercial da Eletromecânica Dyna.

A Elring Klinger, que abastece todas as montadoras no País (menos a Toyota), teve que cancelar as férias coletivas programadas para esta semana e suspender a redução de um dia de trabalho para atender os pedidos que começam a chegar das fabricantes de automóveis.

A empresa, que no final do ano passado eliminou o terceiro turno e demitiu 40 pessoas, avalia recontratar esses funcionários se o volume de encomendas das montadoras começar a crescer. “O mercado está começando a reagir e algumas montadoras cancelaram as férias coletivas na semana do Carnaval e estão até trabalhando aos sábados para abastecer a rede de concessionárias, que já estão com falta de alguns modelos de automóveis para pronta entrega”, disse Luiz Alberto Thimm Mirara, diretor comercial da Elring Klinger.

A Volkswagen, que liderou as vendas de automóveis em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro, é a montadora que está enviando mais pedidos aos seus fornecedores. A Fiat, que assinou acordo de estabilidade com os empregados de Betim (MG), também está com nível bom de produção, segundo os fornecedores, e já produz 2.700 carros por dia. Por causa da retomada da Fiat, a fábrica da Dyna, em Minas Gerais, está trabalhando em três turnos.

Por causa da retomada do mercado, a Fiamm, fabricante de autopeças de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, também cancelou a redução da jornada de trabalho iniciada no final de janeiro. Em comunicado a empresa informou que os 168 trabalhadores retornarão aos seus horários normais a partir de 1° de março. A medida, segundo a empresa, tem o objetivo de normalizar a produção.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicosdo ABC, a Fiamm havia reduzido  a jornada de trabalho para quatro dias por semana, durante  quatro meses, e o corte no salário vinha sendo compensado por valecompra. “É uma notícia boa que confirma o que dissemos sobre os empresários que tomaram decisões precipitadas sem avaliar o tamanho da crise”, afirmou em comunicado Moisés Selerges, diretor do sindicato e coordenador de base de São Bernardo do Campo.

Ao contrário do mercado de automóveis, o setor de caminhões ainda está devagar, segundo os fornecedores. “O crescimento deste segmento na primeira quinzena de fevereiro não é suficiente para saber se há uma tendência de recuperação dos veículos comerciais ou se foi um acúmulo de vendas em um período”, disse João Lopes, diretor de vendas e marketing da ZF na América do Sul. Para Lopes, “2009 será o ano de ajuste e 2010 o de recuperação”.

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