Exportação desaba e dificulta retomada

As vendas externas de carros despencaram 61,6% em janeiro em relação ao mesmo período de 2008. Em caminhões, os números também são dramáticos no primeiro mês do ano - baixa de 57,7%

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Não fosse a queda vertiginosa das exportações, a indústria automobilística já poderia ter retomado um nível melhor da produção em janeiro. As vendas externas de carros despencaram 61,6% em janeiro em relação ao mesmo período de 2008. Em caminhões, os números também são dramáticos no primeiro mês do ano – baixa de 57,7%.

“A produção não consegue voltar porque as exportações despencaram fortemente nos mercados em que atuávamos”, afirmou ontem o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

Em valores, a queda também foi expressiva. Contabilizados máquinas agrícolas, carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, a indústria exportou em janeiro US$ 428 milhões. Em janeiro do ano passado, as vendas externas somaram US$ 1.023 bilhão, significando uma queda de 58,2%. Especificamente em autoveículos, o valor em janeiro foi de US$ 350,6 milhões ante US$ 763,3 milhões, queda de 54,1%. No mundo em que sobram carros e faltam compradores, Schneider afirmou que a indústria brasileira deve se preparar para enfrentar tempos e concorrência duríssimos. Ele teme por um jogo pesado por parte de fabricantes que podem buscam mercados como o brasileiro para despejar a produção excedente. Ao mesmo tempo, teme que medidas protecionistas, num momento de retração das vendas, fechem ainda mais as portas dos carros nacionais, ampliando as dificuldades para exportações.

Além do cenário conturbado, o presidente da Anfavea lembrou antigos problemas de competição do carro brasileiro no exterior: cargas de impostos que concorrentes não têm, além de burocracia em excesso, falta de infraestrutura e dificuldades logísticas, entre outros exemplos.

“Temos que ficar alerta para que medidas no cenários internacional, muitas vezes sutis e difíceis de entender, como a venda casada, por exemplo, prejudiquem ainda mais as exportações brasileiras”, disse. “Temos que prestar atenção como este jogo vai ser jogado”, disse.

Para Schneider, apenas nos últimos três anos, com o encolhimento dos mercados dos Estados Unidos e Europa, por exemplo, 13 milhões de veículos ficaram sem compradores.

O presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardila já havia alertado que o mercado mundial, passará de 90 milhões de unidades por ano para algo em torno de 60 milhões de veículos, o que obrigaria marcas a buscar fusões para o encolhimento da produção.

Recuperação em marcha

Os números da Anfavea mostram que o mercado e a produção estão reagindo à crise. A média diária de produção e vendas, que é um dos principais indicadores da indústria, mostram uma recuperação lenta .

Em agosto do ano passado, por exemplo, a média diária de produção era de 14,9 mil carros, enquanto as vendas diárias eram de 11,7 mil. Em dezembro, em função das férias coletivas de quase todos os fabricantes, a produção despencou a 4,6 mil unidades/dia. Naquele mês, a redução do IPI ajudou a jogar a média de vendas diárias para 9,3 mil unidade. Em janeiro, subiu para 9,4 mil e projeção para fevereiro é de 9,8 mil.

A produção diária também vem se recuperando, com 8,9 mil carros por dia em janeiro e a projeção de 10,8 mil em fevereiro. Mas o desabamento do mercado externo, principalmente da Argentina e México, impedem uma retomada melhor da produção.

O nível dos estoques melhorou. Dos 350 mil carros entre o fim de novembro e dezembro que representavam 56 dias de produção, os pátios das revendas e montadoras acumularam em janeiro 193 mil veículos ou 31 dias de produção.

Em janeiro, as vendas totais cresceram 1,5% em janeiro em relação a dezembro, com 197 mil unidades emplacadas. A produção saltou 92,7% em janeiro em relação a dezembro – mês em que praticamente não houve produção em razão das férias coletivas em quase todas as indústrias.

Schneider afirmou que a falta de alguns modelos em janeiro ocorreu não pelo fato de a indústria ter feito uma projeção mais pessimista para o período. Par ele, o “descompasso” com a paralisação da produção fez com que modelos específicos tivessem alguns dias de espera. .Lembrou que, entre importados e nacionais, o País tem 650 modelos.

Em razão das incertezas do mercado, a Anfavea preferiu na fazer uma projeção de vendas e produção para 2009. “As muitas variáveis ainda são difíceis de entender”, afirmou Schneider, que poderá fazer uma previsão em março.

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