Encomenda da Argélia ajuda a aliviar a tensão na Randon

Pedido de 1,4 mil equipamentos chega em momento de depressão do mercado

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A Randon Implementos fechou contrato para o fornecimento de 1,4 mil equipamentos em CKD (desmontados) e quatro caminhões fora de estrada em CBU (montados) com a ACTS, parceira da Randon na Argélia na montagem de CKD e distribuição de produtos localmente.

O valor do negócio é equivalente a US$ 30 milhões, mas poderá chegar a US$ 40 milhões e 1,6 mil produtos, com seis caminhões fora de estrada adicionalmente. Considerando a produção da Randon atualmente, de 90 implementos/dia, a encomenda corresponde a um mês inteiro de produção.

Recordação de 1983

A programação traz alívio neste momento de queda no volume de pedidos no mercado interno.

O diretor corporativo e de operações do grupo, Erino Tonon, não esconde a comparação com outro momento delicado da Randon, em março de 1983, quando fechou negócio com a Argélia no valor de US$ 12 milhões (à época), trazendo tranqüilidade três meses após a empresa obter o pedido de concordata.

“Parece o mesmo filme”, disse o executivo à Gazeta Mercantil.

Primeiros embarques

A programação de entrega de tanques, basculantes e plataformas iniciam em março. Na próxima semana será feito o embarque dos quatro veículos fora-de-estrada RK-430 M. O número de unidades supera o volume exportado nos dois últimos anos. “O País está se expandindo e isto gera muitas oportunidades”, conta Tonon. E oportunidade é o que está faltando no mercado interno.

Os fabricantes de implementos para o transporte de carga rodoviária já estão convencidos que o primeiro bimestre de 2009 será o pior ou um dos piores de toda história do setor. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda na produção de reboques e semi-reboques para o mercado interno pode chegar a 40%. As vendas de janeiro deste ano caíram 26,7% em relação a dezembro, e 34,58% ante o resultado do mesmo mês em 2008.

Todas as esperanças estão voltadas para março, quando a economia reinicia o seu ciclo normal de atividades, este ano, entretanto, sob efeito devastador da crise financeira.

Trimestre difícil

“Se não tem geladeira, tv e outras mercadorias para levar de um lugar para outro não há motivo para que alguém invista em equipamento de transporte. É uma coisa natural, quando a situação melhorar ele investe”, conta Tonon.

“Vamos ter um primeiro trimestre muito difícil”, diz Tonon. Líder na fabricação de reboques e semi-reboques, a Randon reduziu de 120 unidadesdia (média de 2008 ) para 90 unidades diárias no início de 2009, o que motivou a proposta para a flexibilização da jornada de trabalho em boa parte das unidades.
“Nossos estoques estão bem reduzidos”, diz Tonon, estimando entre 800 e 1 mil unidades.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Rafael Campos, é vital que a retomada econômica venha logo, caso contrário não restará mais alternativas para evitar as demissões.

“Nem gosto de pensar nisso”, diz angustiado. Campos espera que o governo decida o mais rápido possível a redução da alíquota do IPI para a linha de implementos rodoviários, de 5% para zero, cujo prazo será de 90 dias.

Lista de queixas

“O ministro Miguel Jorge está sabendo da situação”, diz Campos, consciente de que apenas isto não servirá para impulsionar o setor. “Recursos não são o problema e sim o sistema financeiro, que além de impor restrições o limite do valor, está elevando a taxa de risco (spread), de 1% a 2% em 2008 para 2%, 3% e até 6%”, queixa-se ele, que adiciona na lista ainda a taxa de juro, carga tributária — que representa 40% de um implemento — e a falta de confiança futura do empresariado.

Níveis de 2007

O presidente da Anfir e o diretor da Randon acreditam que a produção deste ano retornará aos níveis de 2007. Em 2008 o setor estabeleceu todos recordes, com a produção de 138,3 mil unidades, alta de 25,65% sobre os 110,1 mil equipamentos feitos em 2007. O segmento da linha pesada (reboques e semi-reboques) fechou 2008 com emplacamento de 54,4 mil unidades, aumento de 35,38% sobre 2007.

Da produção total registrada em 2008, o mercado interno absorveu 131,1 mil unidades, enquanto que 7,2 mil foram exportadas, alta de 2,45% em relação aos 7,0 mil equipamentos embarcados em 2007. Para a diretoria da Anfir, um dos fatores que interferiram positivamente no desempenho do setor em 2008 foi o bom comportamento do agronegócio. A safra de grãos 2007/2008 apresentou volume recorde e atingiu 143,8 milhões de toneladas, 9% superior a registrada na safra 2006/2007.

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