Cadeia de suprimentos enfrenta desafios

"Com as turbulências nos mercados tivemos que fazer um ajuste com nossos fornecedores, as vezes fazíamos um pedido na segunda-feira e na sexta-feira da mesma semana ligávamos cancelando", afirma Vagner Galeote, diretor de compras da Ford América do Sul

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Com a intensificação da crise financeira global, enquanto uns achavam que seria uma “marola”, a indústria foi atingida em cheio. Um dos setores da economia que foi fortemente afetado foi o automotivo. Junto com ela, a cadeia de suprimentos passou a enfrentar uma série de desafios e adequações.

“Com as turbulências nos mercados tivemos que fazer um ajuste com nossos fornecedores, as vezes fazíamos um pedido na segunda-feira e na sexta-feira da mesma semana ligávamos cancelando”, afirma Vagner Galeote, diretor de compras da Ford América do Sul.

O problema é que, com o agravante da crise, as montadoras não tinham como pagar seus fornecedores e acabavam cancelando as encomendas, causando um efeito dominó na indústria. Atualmente, a Ford trabalha com 362 fornecedores no Brasil.

“Vemos que a crise acirra a competição mundial, por isso devemos investir em novos produtos e trabalhar com inovação, produzindo carros bons e que atendam aos anseios da sociedade. Como por exemplo, trabalhar com a reformulação de um carro que se encaixe nas atuais necessidades do cliente”, avalia Galeote.

Para driblar a crise, a Ford optou por reduzir e evitar custos desnecessários. “A situação nos força a trabalhar com mais ponderação e a pensar em maneiras inovadoras para chegar no resultado final com sucesso”, acredita o diretor de compras da empresa.

Sem informar cifras, Vagner Galeote afirmou que os investimentos para este ano em produtos foram mantidos mesmo com a crise financeira global. Isso porque com novos modelos ou pelo menos algumas alterações no veículo, o produto se torna mais atrativo e competitivo no mercado. “Podemos cortar tudo, menos os recursos destinados a este segmento. Em outras épocas difíceis já vimos que não se sai de uma crise sem investir em novos produtos e tecnologias”, enfatiza.

Falando em cortes, Galeote ressalta que a empresa prefere recorrer primeiro às leis trabalhistas, como férias coletivas, licenças ou redução de jornada de trabalho e, em último caso, a demissão. “Agimos desta forma porque sabemos que este trabalhador que está desempregado também vai afetar nossa cadeia de vendas. Portanto nosso grande desafio é ajustar a produção a demanda e ajustar a mão-de-obra sem gerar desemprego”, complementa.

Porém, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a indústria começa a apresentar sinais de recuperação. Em janeiro, as vendas de veículos cresceram 1,5%, somando 197,5 mil unidades comercializadas, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Em função desta reação do mercado, vejo que o governo brasileiro vai estender a medida por mais um tempo, até que os dados firmem tendência. Acho que isso ajudaria ainda mais o setor, uma vez que nosso programa é baseado na demanda do mercado”, diz diretor de compras da Ford América do Sul.

Outro ponto que ajuda o setor é o preço dos insumos, que recuam fortemente no mercado internacional. Com a queda nos preços, o valor final do produto cai também, tornando a compra mais atrativa. “Com isso ajustamos nossa estrutura de custo e vamos atrás da implementação destas reduções no mercado brasileiro”, finaliza.

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