Anac reabrirá voos em aeroportos urbanos

Embora admita que não tem como impedir que a disputa aterrisse nos tribunais, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá regulamentar, no mais tardar em março, a portaria que vai permitir vôos do mais bem localizado aeroporto carioca a outras capitais do País

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Envolta em turbulenta batalha de interesses que envolve desde empreiteiras até algumas das gigantes do mercado de aviação nacional, a abertura do aeroporto Santos Dumont entra neste mês em sua etapa final. Embora admita que não tem como impedir que a disputa aterrisse nos tribunais, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá regulamentar, no mais tardar em março, a portaria que vai permitir vôos do mais bem localizado aeroporto carioca a outras capitais do País. Diretor da Superintendência de Infra-estrutura Aeroportuária da Anac, Alexandre Gomes de Barros vê a medida como fundamental para aumentar a concorrência no setor e, com isso, oferecer aos clientes mais e melhores serviços aéreos.

” A medida vai estimular o turismo de negócios no Rio, além de assegurar maior concorrência no setor, com a entrada de novas companhias aéreas”, justifica Barros, ao citar não só o exemplo da Azul, do empresário David Neeleman , mas da Trip e da Passaredo, que anunciaram investimentos na aquisição de aeronaves da Embraer para entrar na disputa pelas rotas do Santos Dumont.

O esforço da agência para aumentar a concorrência não se limita, no entanto, à abertura do aeroporto carioca. O diretor revela que, até junho deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá receber um documento com as opções de modelos de concessão dos aeroportos para a iniciativa privada.

De posse do calhamaço de estudos, o presidente Lula ai optar pela melhor forma de conceder as operações dos aeroportos a empresas privadas.

“O dilema, neste caso específico, é semelhante ao vivido pelo governo no setor rodoviário”, compara Barros, ao admitir somente que a crise mundial deverá reduzir o apetite dos investidores pelos aeroportos privados. “Trata-se de uma decisão por um modelo de maior arrecadação ou por menor tarifa.

Oposição de Cabral

Principal opositor da proposta da Anac para o Santos Dumont, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, já prometeu fazer de tudo para impedir a liberação dos voos do Santos Dumont. Disposto a tornar viável a concessão do aeroporto Galeão Tom Jobim, na Ilha do Governador, para a iniciativa privada, teme que a abertura atrapalhe o processo.

A opção de decolar do centro da cidade, justifica, tornaria o Galeão menos atrativo e rentável.

Embora a realidade atual seja outra, com um fluxo de passageiros muito maior, até 2003 – quando ocorreu a interdição de vôos do Santos Dumont para outros destinos que não São Paulo -, os dois terminais do Tom Jobim viviam vazios.

Crescimento do tráfego

Alexandre Gomes de Barros, da Anac, afirma, no entanto, que a ampliação do fluxo de passageiros no País assegura uma demanda firme para o Galeão, mesmo com a abertura do terminal Santos Dumont.

Além disso, acrescenta o diretor da Anac, a restrição impediu crescimento mais significativo de voos do Rio de Janeiro.

“Entre 2003 e 2007, o tráfego combinado dos dois aeroportos aumentou 36%, enquanto, em todo o Brasil, o crescimento médio chegou a 55%. Ou seja, a restrição prejudicou passageiros do Rio”, critica Barros.

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