Retração obriga fabricantes de caminhões a novas paralisações

Com a retração econômica, montadoras de caminhões voltam a anunciar novas férias coletivas e deve haver suspensão temporária de contratos de trabalho

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A queda do fluxo de caminhões nas avenidas de grandes cidades brasileiras já se reflete na indústria. Com a retração econômica, montadoras de caminhões voltam a anunciar novas férias coletivas e deve haver suspensão temporária de contratos de trabalho.

Uma situação difícil de acreditar para um setor que há menos de cinco meses tinha na carteira pedidos que representavam produção de até nove meses.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou mais um período de 13 dias sem produção, entre 23 de fevereiro e 5 de março. A empresa informou que ainda não sabe quanto dos 3,5 mil metalúrgicos irão paralisar suas atividades. Toda a fábrica emprega cerca de 5 mil pessoas.

De acordo com Edmilson Alvarenga, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos que abrange Resende (RJ), a VW conseguiu um acordo para deixar por cinco meses em casa os cerca de 500 trabalhadores do terceiro turno. Pelo acordo, os funcionários vão receber parte de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A empresa informou que o acardo ainda não foi fechado e está em negociação, inclusive, sobre o número de funcionários que vão ser incluídos nas medida. De acordo com o sindicato, durante o período de cinco meses, os funcionários vão receber R$ 1 mil por mês. A empresa, segundo o sindicalista, se comprometeu a complementar a diferença dos recursos não cobertos pelo FAT, que deve disponibilizar R$ 500 por trabalhador por mês.

Ainda de acordo com o sindicato, a Volkswagen Caminhões e Ônibus tinha meta de alcançar uma produção de 320 caminhões por dia, mas só atingiu uma produção diária de 220 unidades. Atualmente, a produção da montadora está em 195 veículos por dia, a mesma que tinha dois anos atrás.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus já havia concedido férias coletivas entre 17 de dezembro e 12 de janeiro para ajustar a produção ao mercado.

A Scania programou nove dias de paralisação entre fevereiro e março. Quatro dias serão nas segundas-feiras de fevereiro. Caso o mercado melhore, a empresa pretende manter a produção, inclusive, não dispensando os funcionários em fevereiro.

A empresa acompanha o número de vendas em janeiro e espera que a redução do IPI recupera parte do mercado a ponto de não precisar parar a produção.
Eriodes Battistella, presidente da Assobrasc, associação que reúne os concessionários Scania, diz que o mercado de janeiro está fraco. “As filas de espera não existem mais Esperamos que a partir de março os volumes posam crescer”.

A Volvo do Brasil, a primeira montadora a recorrer a demissões em conseqüência da crise no início de dezembro passado, quando reduziu seu quadro na fábrica de caminhões e ônibus da capital paranaense em 430 funcionários, disse que sua programação ainda não deve sofrer qualquer alteração neste início de ano.

Além das demissões, a empresa chegou a estender o período de férias coletivas de alguns setores como a fábrica de motores por 50 dias e eles acabam de retornar ao trabalho. “Não há novos plano, o que foi feito é suficiente e continua a valer toda a programação estabelecida em dezembro”, informou a assessoria da empresa que reduziu sua produção de 77 para 54 caminhões diários nas linhas F e VM enquanto a linha de ônibus continua com os mesmos 7 veículos diários.

A Volvo possui 2.410 funcionários na fábrica de Curitiba e, além dos problemas no mercado interno, sofreu muito com a queda nas exportações – a linha de cabines para caminhões terá uma queda de vendas de 8.024 unidades comercializadas em 2008 para 1.148 unidades em 2009, redução de 85% em função da crise nos Estados Unidos, o maior importador.

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