Mo­to­ta­xis­tas ‘­liberam’ pe­dá­gio na BR-369

A manifestação começou pouco depois das 13 horas. Inicialmente, os mototaxistas bloquearam toda a praça e impediram a passagem dos outros veículos

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No trânsito eles são os mais frágeis mas na tarde de ontem um grupo aproximado de 50 mototaxistas de Arapongas (Norte do Estado) levantou a voz contra a cobrança de pedágio para motos. Eles bloquearam e, em seguida, abriram todas as cancelas na praça explorada pela Viapar na BR-369 por mais de uma hora e meia e ameaçaram retomar o protesto caso não sejam atendidos.

A manifestação começou pouco depois das 13 horas. Inicialmente, os mototaxistas bloquearam toda a praça e impediram a passagem dos outros veículos. Logo, surgiram os primeiros conflitos. Um motorista de São Jerônimo da Serra chegou a descer do carro para enfrentar os manifestantes ao ser impedido de seguir viagem. Outro reclamou que tinha uma criança doente e precisava passar. Às 13h27, os motociclistas abriram as cancelas nos dois sentidos e liberaram da tarifa todos que passaram até às 15 horas. Depois, voltaram ao trabalho avisando que podem retomar o protesto se nada for feito.

O interlocutor dos mototaxistas, Roberto Rizzi, reclamou que a tarifa de R$ 2,60 para motos é excessiva e está arruinando os ganhos da categoria, tanto em Arapongas quanto em Rolândia. Ele lembrou que no ano passado a cobrança de pedágio para motos foi suspensa por decisão judicial durante cerca de um mês e, então, eles puderam calcular o quanto o pedágio pesa no bolso dos mototaxistas. ”Queremos a isenção para as motos porque não aguentamos mais. Tentamos conversar com a concessionária mas não teve acordo”, afirmou Rizzi.

Mototaxista há cinco anos, Sidnei Pires Moura disse que faz pelo menos cinco corridas por dia para Rolândia. Ele calculou que gasta cerca de R$ 4,00 com combustível e mais R$ 5,40 com pedágio (ida e volta) mas não consegue cobrar mais do que R$ 12,00 dos clientes. ”Não dá nem para incluir a manutenção da moto”, reclamou.

Caminhoneiros e outros motoristas que passaram pela praça de Arapongas aprovaram a ação dos mototaxistas. ”Moto não estraga a rodovia. Em São Paulo, elas não pagam”, comentou um motorista de Maringá. Um caminhoneiro de Franca (SP) aproveitou para também criticar o pedágio em nome da categoria: ”Não são só os motoqueiros que sofrem com isso”.

Uma lei sancionada pelo governo estadual isentou os motociclistas da cobrança em todo o Paraná entre 22 de setembro e 18 de outubro do ano passado. No entanto, as concessionários entraram na Justiça e conseguiram o direito de retomar a cobrança. Ontem, a assessoria da Viapar alegou que a tarifação é um direito da empresa garantido pelo contrato de concessão que também não permite a isenção de nenhum veículo, exceto os oficiais. A Secretaria de Estado de Transportes informou que o Governo entende a reclamação dos motociclistas e que continua discutindo a tarifação de motos judicialmente com as concessionárias.

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