Mesmo com crise, montadoras investem

Fabricantes já haviam sinalizado os estragos e os rumos que deveriam tomar para tentar mudar o quadro - em mercados maduros ou em desenvolvimento

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O abalo que a crise econômica produz na indústria automobilística já era esperado. Fabricantes já haviam sinalizado os estragos e os rumos que deveriam tomar para tentar mudar o quadro – em mercados maduros ou em desenvolvimento. Pesquisa realizada pela KPMG no último trimestre de 2008 com 200 executivos do setor de todas as partes do mundo mostra como a queda dos mercados mudará as formas de atuação das montadoras e fornecedores.

Segundo entrevistados em escala planetária, a margem e a lucratividade serão fortemente abaladas com a diminuição da produção. Além de produtos tecnologicamente mais eficientes, a indústria automobilística deverá recorrer a fusões de marcas e inovações tecnológicas para recuperar a confiança do consumidor e os mercados. Uma das boas notícias é que os fabricantes tendem a manter os investimentos para superar os desafios.

“Os tempos são difíceis. Mas a pesquisa mostrou que muitas empresas estão dispostas a enfrentar os desafios, focando em seus pontos fortes e na forma eficaz de gerenciar seus negócios. Os executivos entendem claramente que não podem tirar os olhos do investimento em inovação tecnológica, já que essa será a maneira de encarar a crise e se readequar ao novo mercado”, afirma Charles Krieck, sócio-líder da KPMG para o setor automotivo.

De acordo com Krieck, a pesquisa identificou que o Brasil, responsável por 60% do mercado sul-americano, será um dos países que mais resistirão e terão condições de reverter a crise no setor. “Os executivos da indústria consideram que o Brasil, ao lado do Oriente Médio e África, serão os mercados mais resistentes”, disse.

De acordo com o levantamento, o setor automobilístico trabalhava no ano passado com uma capacidade ociosa em todo o mundo em torno de zero a 10%. Neste ano, a indústria prevê que a ociosidade mundial ficará entre 11% e 20% com a queda dos mercados internacionais. Por isso, é provável que a participação dos fabricantes asiáticos e indianos cresça, enquanto os europeus devem manter os níveis atuais e os norte-americanos manterão a tendência de perda de vendas.

No décimo ano da pesquisa da KPMG, realizada entre setembro e outubro de 2008, os executivos entrevistados representaram fabricantes e fornecedores de veículos do Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Suécia, Índia, China, Coréia do Sul, Japão, Tailândia, Brasil, México, Espanha, Polônia, Eslováquia, Rússia, República Tcheca, Itália, Suíça, África do Sul e Austrália. A pesquisa ouviu gerentes, diretores, vice-presidente e presidentes de montadoras e fabricantes de autopeças nos principais centros produtores e mercado de veículos.

Como tem mostrado os últimos salões de automóveis pelo mundo, o carro híbrido- que mistura eletricidade e motor a combustível- deve ser uma meta para entregar ao consumidor um produto que lhe dê ganhos efetivos. Não é à toa que fabricantes como a General Motors, que enfrenta severas dificuldades nos Estados Unidos, tente produzir um carro híbrido eficiente em curto prazo – pelo menos até o ano que vem.

Em relação ao último levantamento realizado pela KPMG sobre o setor, fica claro que os investimentos e o enfoque da indústria automotiva mudaram. Em 2007, quando os executivos classificaram a importância das inovações para os cinco anos seguintes, os fatores mais citados foram os sistemas híbridos, a tecnologia de célula de combustível, materiais avançados e tecnologia por eletricidade e bateria. Em 2008, os entrevistados expressaram opiniões mais enérgicas por sistemas híbridos, chegando a 91% em relação ao índice de 79% do ano anterior. E a tecnologia da eletricidade e bateria subiu para o segundo lugar nas preocupações das empresas, passando a 82% em relação ao índice de 60%.

Novos modelos

De acordo com o levantamento, nos próximos cinco anos, a atenção da indústria deve se voltar para o investimento pesado em novos modelos, produtos para satisfazer a demanda de consumidores por carros acessíveis e eficientes em termos de combustíveis e novas tecnologias de produção. Dos entrevistados, 91%, frente a 94% da pesquisa anterior, realizada há um ano, indicaram que o investimento em novas tecnologias aumentará nos próximos dois anos.

Já como conseqüência do aperto no crédito, as montadoras afirmaram que terão que refazer planos e alterar a verba destinada para alguns setores, como o de propaganda e marketing, no qual são previstas quedas. O setor reduzirá os investimentos nessa área de 72% para 55% neste ano. A intenção de gasto em novas fábricas também caiu, para 52%, em relação à taxa de 72% de um ano atrás.

A fabricação de carros eficientes em relação a combustível, opção selecionada por 29% dos executivos, foi a tendência mais citada pelas montadoras, seguida pela troca para veículos com combustíveis alternativos (23%) e a produção de carros não prejudiciais ao meio ambiente (22%).

Com referência às áreas em que tanto fabricantes quanto fornecedores devem buscar economia nos custos nos próximos cinco anos, as três mais citadas foram inovações no processo de fabricação e tecnologia (até três pontos percentuais a mais, atingindo 70% este ano), inovação em materiais de produtos (até 10 pontos percentuais a mais, atingindo 67% este ano), e seleção de países com baixos custos (queda de seis pontos percentuais este ano, passando a 59%).

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